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    Cármen celebra Moraes em última sessão do ministro no TSE: “Pessoa certa no lugar certo”

    Atual presidente deixa a Corte na segunda-feira (3), quando Cármen Lúcia toma posse no comando do tribunal

    Lucas Mendesda CNN Brasília

    A ministra Cármen Lúcia, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), homenageou nesta quinta-feira (29) o presidente da Corte, Alexandre de Moraes, na última sessão de julgamentos do magistrado.

    Segundo Cármen, que assumirá a presidência do TSE na segunda (3), Moraes foi “a pessoa certa, no lugar certo, na hora certa”. A data é o último dia do ministro na Corte eleitoral.

    A ministra ressaltou a atuação de Moraes nos últimos dois anos, principalmente no combate aos ataques à Justiça Eleitoral e ao sistema eletrônico de votação.

    “Era essencial que houvesse uma atuação tal como aconteceu”, disse Cármen. “[Era um] Momento de grave comprometimento da sociedade no sentido de um conflito que se impôs e que se estabeleceu contra o TSE, contra as urnas eletrônicas, e que no final nada mais é do que um atentado contra a democracia brasileira, garantida por eleições livres, seguras e transparentes”.

    Segundo Cármen, Moraes teve um “papel fundamental” para a manutenção da democracia.

    “Um cidadão com esse compromisso faz bem ao país”, afirmou a ministra, ao falar sobre o “compromisso público e democrático” que atribuiu ao ministro.

    “Para nossa sorte, vossa excelência é um juiz, e haver leis é imprescindível, haver juízes que garantam a lei é inadiável e urgente. As leis são necessárias, mas elas não são suficientes; são colocadas em práticas, garantidas por um Judiciário independente e uma imprensa forte e livre”, declarou.

    Cármen citou a atuação do ministro na solidificação da jurisprudência do TSE sobre a fraude à cota de gênero. Também lembrou da atuação do magistrado na relatoria de inquéritos no STF sobre os ataques de 8 de janeiro.

    “Não me lembro de em nenhum momento vossa excelência perder a paciência. Contar com bom humor para reagir a isso tudo compõe um quadro de amenidade e rigor, afirmação com presteza, mas também com tranquilidade.”

    O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também homenageou Moraes.

    “Ninguém poderá alegar surpresa com medidas então adotadas e implementadas e de aplicação rigorosa e atenta do direito em prol da lisura do processo eleitoral”, disse, em relação às medidas estabelecidas para as eleições.

    Advogados também fizeram falas em homenagem ao ministro.

    Atuação

    Moraes é integrante titular do TSE desde 2020 e virou presidente a partir de agosto de 2022.

    Em seu período à frente do tribunal, emplacou um endurecimento das normas contra a propagação de notícias falsas e desinformação nas redes sociais, diante de um cenário de falta de regulamentação sobre as novas tecnologias e de intensificação do uso da internet para ataques.

    O ministro ainda conduziu aquela que seria a eleição mais disputada desde a redemocratização. O processo eleitoral de 2022 culminou com o terceiro mandato presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e deixou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) inelegível até 2030.

    Mudanças

    A saída de Moraes no TSE levará Cármen Lúcia à presidência. No posto, a ministra comandará as eleições municipais no país.

    Cármen foi escolhida em eleição simbólica no começo do mês. Por tradição, assume a posição de presidente o magistrado do Supremo Tribunal Federal (STF) com mandato há mais tempo no TSE.

    A mudança também levará à entrada de André Mendonça como integrante titular do tribunal. Mendonça é o ministro substituto mais antigo da Corte — entrou em abril de 2022.

    O TSE é composto por sete ministros efetivos e sete substitutos. A composição segue sempre a seguinte proporção: três magistrados oriundos do STF, dois do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e dois advogados.

    Com a saída de Moraes, além da entrada de Mendonça, o TSE é composto por Nunes Marques (STF), Raul Araújo e Isabel Gallotti (STJ), André Ramos Tavares e Floriano de Azevedo Marques (advogados).