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    Caso Flordelis: juíza nega pedido de exumação do corpo do pastor Anderson do Carmo

    O requerimento foi feito pela defesa da ex-parlamentar no quarto dia de julgamento da ex-deputada

    Deputada Flordelis
    Deputada Flordelis Foto: Flordelis - 29.set.2019 / Facebook

    Rafaela Cascardoda CNN

    em Niterói

    A juíza Nearis dos Santos negou o pedido da defesa de Flordelis para exumar o corpo do pastor Anderson do Carmo, assassinado em 2019. A intenção era saber se há vestígios de substâncias tóxicas que corroborem com os relatos de algumas testemunhas de que ele teria sido envenenado.

    O pedido aconteceu após o depoimento do médico legista e perito criminal Sami Abder Rahim, o mesmo contratado pela defesa do ex-vereador Jairinho para depor no caso Henry Borel. Ele foi arrolado pela defesa de Flordelis e afirmou não estar recebendo remuneração para fazer a análise do caso. O médico também acredita que não houve tentativa de envenenamento do pastor, nem com cianeto nem com arsênico, substâncias que, segundo a investigação policial, foram pesquisadas na internet por filhas da ex-parlamentar.

    Nesta quinta-feira (10), quarto dia de julgamento de Flordelis e de mais quatro réus acusados de envolvimento no crime, sete testemunhas foram ouvidas. Outras 13 devem prestar depoimento nos próximos dias. A expectativa é de que a sentença só seja dada no próximo fim de semana ou depois.

    A sessão desta quinta começou com a oitiva de Roberta do Santos, filha afetiva de Flordelis. Ela afirmou que tinha certeza de que a mãe foi a responsável intelectual pela morte do pastor.

    “Flordelis sabia de tudo que acontecia. Ela era soberana de tudo na casa, e só aconteceu tudo porque ela permitiu que acontecesse”, complementou em plenário.

    Além dela, Rebeca Rangel Silva, neta de Flordelis, e Erica dos Santos de Souza, filha adotiva da ex-deputada, foram ouvidas como testemunhas de acusação.

    Testemunhas de defesa

    Além do médico legista, outras testemunhas de defesa começaram a ser ouvidas nesta quinta. Tayane Dias, filha afetiva, foi a primeira a depor e disse que Flordelis é uma mulher íntegra e amorosa, ao contrário do pastor. De acordo com a depoente, Anderson do Carmo teria abusado de pelo menos duas filhas do casal.

    “Todo mundo na casa ficou sabendo dos casos de abuso”, disse.

    Ainda foi ouvido o médico Diogo Bugano, responsável por um tratamento contra o câncer realizado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, por Simone dos Santos, filha biológica de Flordelis e uma das julgadas.

    O desembargador Siro Darlan também foi ouvido pelo tribunal do júri. Ele acompanhou o acolhimento de crianças e adolescentes no início da carreira de Flordelis. Ele teceu diversos elogios a ela, dizendo, principalmente, que as crianças eram bem tratadas. Ele contou ainda que estreitou relacionamento com a família e chegou a aconselhar Flordelis a não entrar na política. As palavras do desembargador manifestaram o primeiro momento em que Flordelis se manifesta no plenário vocalmente. Ela chorou copiosamente e deixou o plenário dizendo “me perdoa, eu sou inocente”.

    Além da ex-deputada federal, estão sendo julgados: a filha biológica de Flordelis Simone dos Santos, a neta Rayane dos Santos e os filhos afetivos André Luiz e Marzy Teixeira.

    Flordelis é acusada de ser a mandante do assassinato e responde por homicídio triplamente qualificado – por motivo torpe, emprego de meio cruel e de recurso que impossibilitou a defesa da vítima -, tentativa de homicídio, uso de documento falso e associação criminosa armada.

    O pastor Anderson do Carmo era casado com Flordelis há 25 anos. Ele foi executado a tiros no dia 16 de junho de 2019, na garagem da casa onde morava com a família em Pendotiba, na cidade de Niterói, Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

    Flordelis nega participação e a defesa da ex-deputada acredita na absolvição.