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    Julgamento de Flordelis continua nesta quarta-feira (9); veja o que se sabe

    Expectativa era de que a sentença saísse até hoje, mas duração dos depoimentos e lista de pessoas a serem ouvidas podem adiar término até o fim de semana, diz MPRJ

    Flordelis, ex-deputada federal
    Flordelis, ex-deputada federal Fernando Frazão/Agência Brasil

    Cleber Rodriguesda CNN

    no Rio de Janeiro

    O julgamento da ex-deputada federal Flordelis, acusada de mandar matar o próprio marido, foi retomado nesta quarta-feira (9), em Niterói, no Rio de Janeiro, com o depoimento de Luana Rangel, nora da ex-parlamentar.

    Ao tribunal do júri, Luana afirmou que os aliados de Flordelis tinham atribuições diferentes no planejamento da morte do pastor Anderson Carmo e que a ex-deputada já teria tentado envenenar o marido, colocando uma substância suspeita no suco entregue a ele.

    “A Flordelis e a Marzy [filha afetiva] participavam porque uma fazia e a outra levava para o pastor. E eu vi quando ela botou o pozinho no suco dele [pastor], mas ela quis justificar e falou que o pastor não tomava remédio e que tinha que fazer assim para ele tomar”, revelou Luana.

    Nos dois primeiros dias de júri, seis pessoas foram ouvidas. Entre elas, filhos afetivos de Flordelis e autoridades que participaram das investigações, como a delegada Bárbara Lomba, que afirmou não haver dúvidas da participação dos réus na morte de Anderson de Carmo.

    Até às 14h, o júri ouvia o segundo depoimento do dia. Trata-se de Daniel dos Santos de Souza, filho afetivo, que fala por videoconferência. O depoimento dele foi suspenso por 1 hora para o almoço.

    Ao contrário da previsão inicial, que apontava para o resultado da sentença nesta quarta-feira, a expectativa agora é de que o julgamento siga até o fim de semana. O motivo é a duração dos depoimentos, além da lista com cerca de 18 testemunhas que ainda podem ser ouvidas a pedido do Ministério Público e da defesa de Flordelis.

    “Esse julgamento se inicia com a narrativa de que seria um latrocínio e, hoje, a gente tem narrativas novas de abuso de violação da dignidade e da memória da vítima, coisas que a gente ainda não tinha conhecimento. Então a gente não sabe o que as testemunhas de defesa vão trazer ao processo. O MP acredita que acabe até sexta-feira, mas é difícil cravar uma data”, afirmou a promotora de justiça Mariáh Paixão.

    Segundo o advogado de Flordelis, Rodrigo Faucz, as testemunhas de defesa devem começar a ser ouvidas nesta quinta-feira (10). A defesa alega que não há provas do envolvimento dos réus na morte de Anderson do Carmo.

    “Não existe nenhuma prova que ligue a Flordelis, a Marzy, a Rayane e o André ao homicídio. Eles ficam falando sobre religiosidade, ritual e qualquer outra coisa que não diz respeito ao crime, justamente para ficar impactando os jurados a partir de situações que não tem a ver com o crime. A defesa considera isso lamentável”, afirmou Faucz.

    Além da ex-deputada federal, quatros réus estão sendo julgados: a filha biológica de Flordelis Simone dos Santos, a neta Rayane dos Santos e os filhos adotivos André Luiz e Marzy Teixeira.

    Flordelis é acusada de ser a mandante do crime e responde por homicídio triplamente qualificado — por motivo torpe, emprego de meio cruel e de recurso que impossibilitou a defesa da vítima —, tentativa de homicídio, uso de documento falso e associação criminosa armada.

    O pastor Anderson do Carmo era casado com Flordelis há 25 anos. Ele foi executado a tiros no dia 16 de junho de 2019, na garagem da casa onde morava com a família em Pendotiba, na cidade de Niterói, região metropolitana do Rio de Janeiro. Segundo os laudos dos peritos, 30 perfurações de arma de fogo foram identificadas no corpo.