Celso de Mello critica suspensão de vistos e cita ataque à democracia

Oito ministros do Supremo tiveram os vistos suspensos pelo governo dos EUA

Davi Vittorazzi, da CNN, Brasília
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O ex-ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Celso de Mello criticou nesta segunda-feira (21) a suspensão dos vistos a ministros da Corte brasileira pelo governo dos Estados Unidos. Segundo Mello, a medida é "arbitrária" e um ataque à democracia brasileira.

Na nota, Celso de Mello afirma que o governo de Donald Trump usa argumento falso de perseguição e censura, ao se referir que o STF estaria perseguindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Trump disse em carta pública que existe uma "caças às bruxas" em relação a Bolsonaro.

"Mais do que uma ofensa sem causa, essa prepotente deliberação governamental americana, apoiada em fundamento destituído de veracidade (mendaz, portanto), ao investir, absurdamente, contra o Supremo Tribunal Federal e os seus íntegros e honrados magistrados, desrespeita, profundamente, o nosso País e a dignidade do povo brasileiro!", disse Mello.

O ministro aposentado ainda afirmou que não se trata apenas de uma questão econômica e tarifária entre os dois países.

"Ataque à democracia brasileira e a suas Instituições, notadamente à Corte Suprema do Brasil, ataque esse perpetrado pelo governo Trump", afirmou.

Conforme mostrou a CNN, fontes do governo federal relataram que sete ministros e o procurador-geral da República foram afetados pelas sanções dos EUA. O governo norte-americano ainda não divulgou a lista oficial. As suspensões atingiram:

  • Luís Roberto Barroso, presidente do STF;
  • Edson Fachin, vice-presidente do STF;
  • Alexandre de Moraes, ministro do STF;
  • Dias Toffoli, ministro do STF;
  • Cristiano Zanin, ministro do STF;
  • Flávio Dino; ministro do STF;
  • Cármen Lúcia, ministra do STF;
  • Gilmar Mendes, ministro do STF; e
  • Paulo Gonet, procurador-geral da República.

Os ministros André Mendonça, Nunes Marques e Luiz Fux não teriam sido alvo da medida.