Centro ainda não se apresenta como capaz de vencer as eleições, diz Flávio Dino

Governador do Maranhão anunciou desfiliação do PCdoB e confirmou que deverá se ligar ao PSB

Gregory Prudenciano, da CNN, em São Paulo

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Em entrevista à CNN nesta quinta-feira (17), o governador do Maranhão, Flávio Dino (sem partido), avaliou que o centro político ainda não reuniu condições suficientes para apresentar uma candidatura presidencial em 2022 que seja competitiva e tenha condições reais de vencer. Para o político, que está deixando o PCdoB para se filiar ao PSB, “este projeto centrista, liberal, democrático ainda não foi apresentado”.

Essa fragilidade do centro, diz Dino, deixa que Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) apareçam como protagonistas para o pleito de 2022. Apesar disso, o governador diz torcer pelo surgimento de uma terceira via. 

“Eu torço para que seja possível, sim, a formação desta alternativa, chamada de centro, terceira via. Acho que isso enobrece o debate eleitoral do próximo ano e considero que isso nos livraria da possibilidade de o Bolsonaro estar no segundo turno”, afirmou. 

‘Caminho diferente’ do PT

Tanto o PCdoB, de onde está saindo, quanto o PSB, para onde está indo, têm uma histórico nos últimos de fechar alianças eleitorais encabeçadas pelo PT. Questionado sobre a possibilidade de o PSB estar desenhando para si um caminho próprio e dissociado de Lula, Flávio Dino sustentou que seu novo partido apresenta “um caminho diferente, mas não antinômico, não contraditório” ao projeto político de Lula. 

Para Dino, os projetos do PT e do PSB “são dois eixos complementares em favor de um Brasil mais justo, um Brasil com soberania, com independência”, sem haver “subalternidade” na relação entre as legendas. “Respeitando as autonomias, mas buscando alianças”, ressaltou. 

O governador do Maranhão também disse que Lula “foi, é, e durante os próximos anos continuará a ser, uma liderança importantíssima para o Brasil”, com quem ele mantém diálogo e que, atualmente, ocupa um papel de coordenação de um campo político chamado por Dino de “campo nacional popular”. 

Flávio Dino (PCdoB), governador do Maranhão (05.jun.2021)
Flávio Dino (PCdoB), governador do Maranhão (05.jun.2021)
Foto: Reprodução/CNN

Saída do PCdoB

Flávio Dino também explicou os motivos que o levaram a deixar o PCdoB, ao qual estava filiado, e anunciar que irá para o PSB. Para Dino, pesou a tendência de redução no número de partidos políticos no Brasil conforme avança a cláusula de barreira, medida que exige das legendas quantidades paulatinamente maiores de votos para ter acesso à tempo propaganda no rádio e na TV e também dinheiro público para suas campanhas. 

Esse movimento acaba estimulando que legendas com pior desempenho eleitoral estudem fusões com outros partidos, a fim de evitar serem alcançados pela cláusula de barreira. 

Segundo o governador, o PSB reúne, hoje, melhores condições para ser “um elemento de atração, de aglutinação e de convergência mais forte que o Brasil precisa neste instante”. “Acredito que esse movimento de fusões, federações, uniões, é uma tendência muito forte, e esse foi um vetor determinante para essa decisão que hoje tomei”, explicou.

Dino disse que dialoga com o PSB há muitos anos e declarou ter “muita gratidão” pelo PCdoB. O político, que ora é apontado como potencial candidato ao Senado em 2022, ora aparece como citado como vice em chapas para a Presidência da República, também se disse comprometido em apoiar a candidatura do deputado federal Marcelo Freixo ao governo do Rio de Janeiro no que vem. 

Na semana passada, Freixo anunciou que estava deixando o PSOL, partido onde construiu sua carreira política, e também se filiou ao PSB. Assim como no caso de Dino, pesou para Freixo a possibilidade de, no PSB, conseguir uma aliança política mais ampla, que o torne mais competitivo numa eleição majoritária, como é o caso do governo estadual. 

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