Com Bolsonaro em julgamento, Gilmar defende punição a envolvidos em golpe

Ex-presidente e outros sete réus são julgados pela Primeira Turma do Supremo

Davi Vittorazzi, da CNN, Brasília
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O ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), defendeu que os envolvidos no plano de golpe sejam responsabilizados para que novas tentativas não se repitam no país. A declaração feita durante um evento na Itália e ocorre ao mesmo tempo que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) é julgado pela Primeira Turma da Corte.

"A responsabilização dos envolvidos é fundamental para que nada parecido jamais se repita", disse o ministro nesta quarta-feira (3) em um evento acadêmico na Suprema Corte di Cassazione — Corte Constitucional da Itália.

O ministro também citou que o STF não vai se submeter às ameaças externas, em referências às sanções dos Estados Unidos no caso do ministro Alexandre de Moraes e o tarifaço contra a economia brasileira.

"Essa mesma Corte não haverá de submeter-se agora, e está preparada para enfrentar, uma vez mais e sempre, com altivez e resiliência, todas as ameaças contra si e sua independência – venham de onde vierem", disse o ministro.

Gilmar Mendes não participa do julgamento envolvendo o ex-presidente por compor a Segunda Turma do Supremo.

No relatório da Polícia Federal que resultou no indiciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e de seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), no âmbito do inquérito sobre as sanções impostas pelos Estados Unidos, foram incluídas trocas de mensagens entre os dois. Em uma conversa datada de 27 de junho, Bolsonaro orienta Eduardo a evitar críticas ao ministro Gilmar Mendes, pedindo que ele o “poupasse”.

Julgamento de Bolsonaro

Nesta quarta, ocorreu o segundo dia de julgamento do núcleo 1 da ação penal sobre a tentativa de golpe de Estado.

Os ministros da Primeira Turma ouviram as defesas dos últimos quatro réus: Augusto Heleno, Jair Bolsonaro, Paulo Sérgio Nogueira e Braga Netto.

A defesa do ex-presidente alegou cerceamento de defesa, pediu anulação da delação do tenente-coronel Mauro Cid e defendeu a inocência de Bolsonaro. O julgamento será retomado na semana que vem com mais cinco sessões.