Com Centrão, Bolsonaro se afastou de Heleno, diz advogado do general à CNN
Durante sustentação oral no STF, defesa argumentou que Heleno perdeu força política após aproximação de Bolsonaro com o Centrão e entrada de Ciro Nogueira
O advogado Matheus Milanez, que defende o general e ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) Augusto Heleno, apresentou argumentos ao Supremo Tribunal Federal (STF) indicando que seu cliente perdeu influência política após a entrada do Centrão no governo. Em entrevista ao Bastidores CNN, Milanez reforçou que essa mudança resultou em um significativo distanciamento entre Heleno e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
De acordo com Milanez, embora Heleno mantivesse uma relação de amizade com Bolsonaro, sua força política foi reduzida consideravelmente após a aproximação com o PL (Partido Liberal). O advogado ressaltou que, na primeira metade do governo, Heleno tinha maior proximidade e era mais consultado por Bolsonaro.
Testemunhas confirmaram que Heleno exercia influência significativa sobre decisões relacionadas à segurança presidencial. O chefe da segurança presidencial relatou que recorria a Heleno quando necessário aumentar medidas de proteção ou dissuadir Bolsonaro de determinadas ações. No entanto, isso mudou depois da entrada do Centrão no governo, conforme relatou o advogado.
A defesa também abordou as anotações encontradas em posse de Heleno, contestando a denominação de "caderneta golpista" atribuída pela Procuradoria-Geral da República. Milanez apresentou evidências de que os registros, que somam 16 pontos, tratavam de questões políticas e eleitorais, como análise de bancadas partidárias e comportamento do eleitorado.
O advogado argumentou que as anotações sobre questionamentos à AGU se referiam a discussões sobre a legalidade de decisões judiciais, citando como exemplo histórico o caso do habeas corpus de Lula quando estava preso em Curitiba, situação em que uma ordem judicial não foi cumprida por ser considerada ilegal pelas autoridades envolvidas.


