Com Mandetta ameaçado, governo faz reunião sobre o pós-coronavírus

Entre auxiliares do Planalto, o discurso é de que o coronavírus não é assunto apenas da Saúde

Mandetta e Bolsonaro, em foto de arquivo
Mandetta e Bolsonaro, em foto de arquivo Foto: Isac Nóbrega/ Presidência da República

Basília Rodriguesda CNN

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Contra o protagonismo do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, o presidente Jair Bolsonaro vai tratar de uma agenda pós coronavírus na reunião hoje em que o ministro estará presente mas a palavra estará com outros ministros também. O Conselho de Governo se reúne com frequência às terças-feiras.

Entre auxiliares do Planalto, o discurso é de que o coronavírus não é assunto apenas da Saúde. Um ministro que estará na reunião afirmou à coluna que Mandetta sofreu um baque no apoio que recebia de outros colegas, tanto de ministros da ala ideológica quanto militar, após ter concedido entrevista à TV Globo, no fim de semana, com tom de enfrentamento.

O gabinete de crise, coordenado pela Casa Civil, criou um grupo de trabalho para tratar de ações estruturantes e estratégicas de recuperação da economia, apesar do país ainda não ter chegado ao pico da doença. “Esse grupo visa projetar e planejar proativamente o ‘day after'”, afirmou uma fonte do Planalto. 

Outra pasta, a Advocacia-Geral da União, irá apresentar nesta reunião que o governo foi ao Supremo Tribunal Federal contestar a autonomia de governadores e prefeitos na adoção de medidas de isolamento social. O pedido é para que a liminar do ministro Alexandre de Moraes seja suspensa para que mais estabelecimentos comerciais sejam reabertos – o que aconteceria a partir de um novo decreto de Jair Bolsonaro sobre as atividades consideradas essenciais. 

A situação de Mandetta no governo é considerada insustentável pelo Palácio do Planalto. Auxiliares de Bolsonaro vêem em uma eventual ordem de demissão uma forma de transformar o ministro em mártir.

“Parece que ele quer ser mandado embora para não assumir a responsabilidade das contradições que tem tido e omissões de planejamento evolutivo e específico da doença em função das diferenças das diversas regiões do Brasil”, afirma quem chama atenção para as diferentes previsões de pico da doença divulgadas por Mandetta. Isso sem levar em consideração os efeitos do isolamento social que podem ter contribuído para a mudança de previsão.

“Mandetta não quer ser cúmplice de Bolsonaro, que está indo embora com o isolamento social”, disse um integrante do Democratas. Lideranças do partido aconselharam Mandetta a submergir na crise. Ele foi trabalhar normalmente mas evitou entrevistas nesta segunda.

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