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    Comandante da PM do DF encaminhou áudio que chamava Moraes de “vagabundo” e pregava golpe igual em 64

    Mensagens constam na denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) repassada ao Supremo Tribunal Federal (STF); comandante e ex-comandante da PMDF foram presos nesta sexta-feira

    Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF)
    Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) Carlos Moura/SCO/STF

    Léo LopesThais Arbexda CNN

    em São Paulo

    Preso nesta sexta-feira (18) pela Polícia Federal (PF), o atual comandante da Polícia Militar (PM) do Distrito Federal (DF), Klepter Rosa Gonçalves, encaminhou áudios no WhatsApp que chamavam o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de “vagabundo” e apoiavam um golpe militar no Brasil aos moldes de 1964.

    As mensagens constam na denúncia do Grupo Estratégico de Combate aos Atos Antidemocráticos (GCAA) da Procuradoria-Geral da República (PGR), que foi repassada ao Supremo Tribunal Federal (STF).

    Veja também – PGR: Comandante da PMDF tentou prejudicar investigações do 8/1

    Após a representação da PGR, a Polícia Federal (PF), na manhã desta sexta, cumpriu mandados expedidos por Moraes e prendeu, além de Klepter Rosa, outros coronéis do Comando da PM do DF, incluindo o ex-comandante da PMDF, Fábio Augusto Vieira.

    Na denúncia do GCAA, consta que no dia 28 de outubro do ano passado, dois dias antes do segundo turno das eleições, Klepter Rosa, que na época ocupava o cargo de subcomandante da PMDF, encaminhou mensagens em áudio para o então comandante da PMDF, Fábio Augusto Vieira.

    Os investigadores apontam que as mensagens são falsamente atribuídas a um político e contém gravações de voz editadas. Nos áudios, o ministro Alexandre de Moraes é chamado de “advogado de facção”, “vagabundo”, “ladrão” e “safado”.

    “Nas mensagens, expressa-se que o pleito eleitoral já estaria “armado” e que “as Forças Armadas saberiam disso” – fomentando teorias conspiratórias e antidemocráticas”, afirma a denúncia.

    Leia abaixo trecho do áudio encaminhado pelo atual comandante da PM do DF

    “Na hora que der o resultado das eleições que o Lula ganhou, vai ser colocado em prática o art. 142, viu? Vai ser restabelecida a ordem. Se afasta Xandão, se afasta esses vagabundo tudinho e ladrão, safado, dessa quadrilha… Aí vocês vão ver o que é por ordem no país. Não admito que o Brasil vai deixar um vagabundo, marginal, criminoso e bandido, como o Lula, voltar ao poder.”

    Áudio apócrifo encaminhado pelo atual comandante da PMDF, Klepter Rosa

    As mensagens em áudio continuam, afirmando que o então presidente Jair Bolsonaro (PL) e o Exército Brasileiro teriam preparado um golpe de Estado, aos moldes de 1964, que demandaria um levante popular.

    “Rapaz, vocês tem que entender o seguinte: o Bolsonaro, ele está preparado com o Exército, com as Forças Especi… as Forças Armadas aí, para fazer a mesma coisa que aconteceu em 64. O povo vai pras rua, que ninguém vai aceitar o Lula ser.. ganhar a Presidência, porque não tem sentido. O povo vai pedir intervenção e aí, meu amigo, eles vão nos livrar do comunismo novamente”, conclui o áudio enviado por Klepter Rosa.

    Segundo os investigadores, Fábio Augusto Vieira, à época o comandante-geral da PM do DF, repassou os mesmos áudios em diante, para o coronel Marcelo Casimiro Vasconcelos Rodrigues, que também está entre os alvos da ação da PF desta sexta, e é comandante do 1º Comando de Policiamento Regional.

    CNN tenta contato com a defesa do ministro Alexandre de Moraes e aguarda retorno. Preso, o atual comandante da PMDF Klepter Rosa ainda não possui advogado de defesa.

    A PMDF se pronunciou em nota informando que “trata-se de Operação da Polícia Federal e que a Corregedoria da Corporação acompanha o andamento”.

    O advogado do ex-comandante da PMDF, Fábio Augusto Vieira, se pronunciou em nota manifestando “absoluta preocupação quanto à incorreção conceitual e a aplicação metodológica equivocada da teoria da omissão imprópria, bem como pelo manejo destoante das cautelares penais, apartado da racionalidade judicial e da construção interpretativa historicamente adotada pelo Supremo Tribunal Federal”.

    A defesa ainda afirmou que “anseia a análise criteriosa da prisão pelo Supremo Tribunal Federal, por sua composição colegiada, reforçando a crença de que haverá observância ao desenvolvimento dogmático já estruturado e a aplicação da interpretação judicial
    amparada por critérios racionais”.

    O governo do Distrito Federal se manifestou dizendo que “recebe a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, com acato e respeito, aguardando o desfecho do inquérito. Como ocorreu desde o primeiro momento, o GDF participa com informações e diligências para que o processo em curso ocorra da forma mais justa e célere possível. O trabalho da Secretaria de Segurança Pública do DF se mantém com o mesmo empenho para que a população não seja prejudicada”.

    PF cumpre mandados contra cúpula da PM do DF

    A Polícia Federal (PF) prendeu, na manhã desta sexta-feira (18), o atual Comandante da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), Klepter Rosa, em operação que investiga os atos criminosos de 8 de janeiro. O ex-comandante da PMDF, coronel Fábio Augusto Vieira, também está entre os presos.

    Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR)Klepter Rosa tentou prejudicar a investigação sobre os atos criminosos de 8 de janeiro.

    Veja: Ibaneis se diz surpreso com prisão de comandante da PM do Distrito Federal

    Em nova operação, a PF mira a cúpula da PMDF. Outros coronéis são alvos da PF nesta sexta. Os agentes cumprem sete mandados de prisão e sete de busca e apreensão em regiões do DF.

    O coronel Fábio Augusto já havia sido preso em janeiro após as invasões das sedes dos Três Poderes em Brasília. Essa é a segunda prisão do militar, que é suspeito de omissão.

    Em nota, a PMDF informou que a Corregedoria da Corporação acompanha o andamento da operação.

    Os pedidos foram feitos pelo coordenador do Grupo Estratégico de Combate aos Atos Antidemocráticos (GCAA), Carlos Frederico Santos, a partir do resultado de apurações realizadas nos últimos oito meses pelas equipes da PGR que atuam nas investigações do ataque às sedes dos Três Poderes.

    Em nota, a PGR afirmou que “os denunciados conheciam previamente os riscos e aderiram de forma dolosa ao resultado criminoso previsível, omitindo-se no cumprimento do dever funcional de agir”.

    Na quinta-feira (17), a PGR denunciou sete militares do Comando da PM do DF suspeitos de conivência no 8 de janeiro.

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