Comissões da Câmara interrompem recesso com pauta de apoio a Bolsonaro

Colegiados de Segurança Pública e de Relações Exteriores têm na pauta moção de apoio ao ex-presidente, após operação da PF

Mateus Salomão, da CNN, Brasília
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Ainda que em meio ao recesso, duas comissões da Câmara dos Deputados retomarão os trabalhos nesta terça-feira (22) com pauta em reação à decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) que impôs medidas cautelares ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

As comissões de Relações Exteriores e de Segurança Pública têm encontro marcado às 10h.

Na pauta dos dois colegiados há requerimentos de moção de apoio, solidariedade e louvor a Bolsonaro. Ambas as comissões são presididas por deputados do mesmo partido do ex-presidente, são eles: Paulo Bilynskyj (PL-SP) e Filipe Barros (PL-PR).

O encontro foi marcado em meio ao recesso parlamentar informal, que começou na sexta-feira (18) e vai até 31 de julho.

Embora os trabalhos tenham sido interrompidos por decisão do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), a Casa segue em “recesso branco”, ou seja, um recesso informal porque ainda não votou a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias).

Apesar das pressões da oposição, Hugo e o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), decidiram manter o recesso.

Hugo afirmou que, no período, não haverá votações em plenário, nem reuniões de comissões.

Reunião de emergência

Na segunda-feira (21), parlamentares da oposição se reuniram com Bolsonaro em reunião na Câmara. O encontro, segundo lideranças, serviu para traçar uma estratégia de como responderá às recentes decisões do STF que miram Bolsonaro.

O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que a oposição irá pressionar pela tramitação de uma PEC (proposta de emenda à Constituição) sobre o foro privilegiado e pela anistia dos envolvidos nos atos de 8 de janeiro.

No Senado, a principal aposta será a abertura de processo de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes.

O líder do PL também anunciou a criação de três grupos de parlamentares, organizados em esquema de comissão, para coordenar a reação à Corte:

  • comunicação, liderado pelo deputado Gustavo Gayer;
  • mobilização no Congresso Nacional, sob comando do deputado Cabo Gilberto;
  • mobilização nacional, liderado por Zé Trovão e Rodolfo Nogueira.

Recentemente, Bolsonaro foi alvo de operação da PF. Uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, impôs, entre outras restrições, o uso de tornozeleira eletrônica ao ex-chefe do Executivo.