"Compensação não pode ser automática", diz presidente da 6x1 à CNN
Em entrevista à CNN, deputado Alencar Santana (PT-SP) defendeu que a mudança na jornada de trabalho seja gradual para não prejudicar certos modelos comerciais
Em entrevista à CNN, o deputado federal Alencar Santana (PT-SP) defendeu nesta terça-feira (28) que a mudança de escala proposta pela PEC (Proposta de Emenda à Constituição) não pode ser automática. Ele comparou a adaptação da nova jornada de trabalho com a reforma da previdência aprovada no governo de Jair Bolsonaro (PL).
"Em 2019, Bolsonaro aprovou a reforma da previdência, sem compensações quanto à aposentadoria. Por que agora há de ter compensação? Temos que entender a realidade de cada um desses setores, mas não pode ser algo automático", disse ao CNN Primetime.
Designado presidente da comissão especial pelo presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), Santana diz que a mudança tem que ser gradual e precisa se adaptar às necessidades e demandas dos diferentes tipos de comércio. Ele cita as capacidades de um pequeno comércio como exemplo.
"A capacidade de um comércio pequeno, uma padaria, de suportar uma mudança tão rápida é menor. Vamos levar em consideração para entender o que fazer", explicou.
Mais cedo, Motta disse à CNN que o fim da escala 6x1 é uma das pautas mais importantes da Câmara para o ano de 2026.
"A pauta da redução da jornada de trabalho, um tema que tem sido tratado no mundo todo, chega agora ao nosso país com a responsabilidade do Congresso conduzir essa votação com muito equilíbrio", pontou.
Motta disse que, quando a PEC chegou a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), já havia um cronograma de votação da proposta. Ele afirmou que pretende votar o texto até o fim de maio.
"Quando decidimos, no início desse ano, despachar a proposta de emenda à Constituição, a famosa PEC 6x1, para a Comissão de Constituição e Justiça, nós já estabelecemos ali um cronograma de votação da matéria para não transparecer que o simples fato de despachar seria apenas uma medida procrastinatória para que a matéria não fosse votada", completou.


