Congresso calcula resposta após derrotas para o governo

Parlamentares preveem relação estremecida após recesso; retaliação pode vir na análise de vetos presidenciais

Gabriela Prado, da CNN, Brasília
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O governo pode enfrentar um Congresso Nacional mais disposto a pressionar pela derrubada de vetos presidenciais após o recesso parlamentar, de acordo com congressistas ouvidos pela CNN.

Essa é uma resposta avaliada para pressionar o governo, depois da derrubada do aumento no número de deputados de 513 para 531.

As sessões para apreciação de vetos são conjuntas entre Câmara dos Deputados e Senado Federal. Cabe ao Presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), convocar os parlamentares.

O projeto foi vetado por Lula nesta quarta-feira (16) enquanto os parlamentares estavam na última sessão antes da pausa para o segundo semestre. A medida foi publicada no DOU (Diário Oficial da União) desta quinta-feira (17).

Como a sessão da Câmara dos Deputados seguiu até a madrugada desta quinta, os parlamentares afirmaram que qualquer discussão será feita após o recesso parlamentar. Porém, os deputados acreditam que a relação com o Executivo estará mais estremecida.

A decisão de Lula pegou de surpresa integrantes da Câmara dos Deputados que acreditavam que o petista iria optar por deixar o prazo se esgotar. Assim, a matéria voltaria ao Congresso e poderia ser promulgada pelo presidente Davi Alcolumbre.

Uma das justificativas de parlamentares de centro é que o governo também envia medidas impopulares e o Congresso aprova, muitas vezes, em votações nominais com a "digital" da escolha do parlamentar. Enquanto, nesse caso, era só Lula "não fazer nada".

A opção pela "omissão" de Lula era defendida pela ala política do governo exatamente para evitar outro desgaste entre Palácio do Planalto e Legislativo.

Outra parte do governo defendeu o veto para evitar que a medida — impopular — prejudicasse a imagem de Lula que tenta recuperar a popularidade.

Na justificativa oficial, o governo afirmou que a proposta “revela-se inconstitucional e contraria o interesse público”.