'Conversar pessoalmente com Bolsonaro não é uma prioridade', afirma Rodrigo Maia

Segundo o deputado, a prioridade da Câmara é avançar nas pautas que ajudem o Brasil a combater problemas causados pela pandemia de coronavírus

Da CNN, em São Paulo
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Em entrevista à CNN nesta sexta-feira (8), o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que defende o diálogo com os ministros do governo, mas disse que estar pessoalmente com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) não é prioridade. O tema foi abordado quando Maia falava sobre uma reaproximação do Palácio do Planalto neste momento. 

"Trato essas questões de uma forma diferente. Estar pessoalmente com o presidente da República ou o ministro da Economia não é o mais importante, e sim manter o diálogo com os técnicos do governo. Acho que esse diálogo não pode ser interditado, para que a gente possa discutir os temas que passam pela câmara. Claro que a questão pessoal não é mais importante. Difícil é quando o governo inviabiliza o diálogo com seus técnicos", disse Maia.

Segundo o deputado, a prioridade da Câmara, atualmente, é avançar nas pautas que ajudem o Brasil a combater problemas causados pela pandemia de coronavírus.

"Não estou desprezando uma reunião, mas nesse momento, com uma projeção de crescimento de perda de vidas muito grandes, se eu posso estar pessoalmente com os técnicos, estar pessoalmente com o presidente da República, não é prioridade. A prioridade é que a Câmara avance nas pautas e possa contribuir nesse momento tão difícil. Na questão direta da área da saúde, mas também na questão dos empregos. A discussão técnica de cada uma dessas matérias não pode ser interditada", acrescentou.

O presidente da Câmara comentou ainda as críticas vindas de Jair Bolsonaro, em uma entrevista exclusiva à CNN em abril.

"Eu não pauto a Câmara dos Deputados por ataques que eu recebo. Vivemos uma crise muito forte, não posso perder meu tempo com agressões, misturando uma agressão com uma pauta relevante com o Brasil. Claro que importa, e claro que impacta a forma que o presidente falou aquele dia, mas mantive meu equilíbrio. Não é no conflito e nas brigas que vamos avançar, já tive vontade de atacar, já reagi de forma mais contundente, mas o importante é que a pauta da Câmara ajude o Brasil, os estados e municípios, para que a renda chegue aos brasileiros mais vulneráveis e mais simples, e tirar um pouco da frente esses conflitos." 

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Congelamento

Maia ressaltou ainda a preocupação com os empregos no setor privado devido à crise gerada pela Covid-19.  

"Temos muitos problemas no setor privado, e claro que o setor público tem que contribuir, mas o congelamento não ajuda em nada. Eu defendo a redução dos salários dos três poderes, continuo defendendo, acredito que não teremos saída", disse.

"Óbvio que o Estado brasileiro vai ter que se adequar a uma nova realidade. Mas não podemos ter 96% das nossas despesas em despesas obrigatórias, é importante ter essa questão muito bem organizada. Infelizmente, o ministro Paulo Guedes disse que apenas esse congelamento resolveria, o Bolsonaro concorda. Mas eu defendo minha ideia. Vamos precisar desse debate de forma transparente. Acho que não tem essa economia. Com a queda da arrecadação, não é economia, vamos ter que discutir como o serviço público irá se adequar à nova realidade", afirmou Maia.