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    Apelo para soltar presos do 8/1 e apoio da oposição marcam 1º dia de Gonet no Senado

    Périplo de sete horas envolveu conversas com 15 senadores de oito partidos de diferentes espectros políticos

    Indicado pelo presidente da República para ocupar a Procuradoria-Geral da República (PGR), Paulo Gonet, visita o Senado Federal
    Indicado pelo presidente da República para ocupar a Procuradoria-Geral da República (PGR), Paulo Gonet, visita o Senado Federal 29/11/2023 - Roque de Sá/Agência Senado

    Teo Curyda CNN

    Brasília

    Para viabilizar a aprovação de seu nome para comandar a Procuradoria-Geral da República (PGR), Paulo Gonet deu início, na quarta-feira (29), à peregrinação por gabinetes de senadores.

    Nas reuniões, de acordo com relatos feitos à CNN, Gonet ganhou apoio de senadores que fazem oposição ao governo Lula, recebeu pedido para ajudar a soltar presos do 8 de janeiro e ouviu sobre o temor dos parlamentares com relação ao ativismo judicial.

    Gonet chegou ao Senado com assessores parlamentares e de relações institucionais por volta das 10h30. A comitiva do subprocurador foi embora às 17h40.

    O périplo de sete horas envolveu conversas com 15 senadores de oito partidos de diferentes espectros políticos — do PT de Luiz Inácio Lula da Silva ao PL de Jair Bolsonaro.

    Gonet aproveitou as reuniões para se apresentar aos senadores que não o conheciam, mostrar seu currículo e contar sobre sua trajetória no Ministério Público Federal.

    “Vai passar fácil, fácil”

    O que Gonet mais ouviu dos senadores é que não terá dificuldade alguma em ser aprovado. Um senador afirmou a ele que seu nome “vai passar fácil, fácil”, já que, segundo este parlamentar, “a artilharia estará voltada a Dino”.

    Gonet ouviu do senador Carlos Portinho (PL-RJ), líder do partido de Bolsonaro, que receberá seu voto. Portinho aproveitou a conversa para pedir que Gonet reavalie a situação dos presos pelos atos criminosos e golpistas do 8 de janeiro.

    O apelo do senador foi feito após Cleriston Pereira da Cunha, preso por sua participação nos atos criminosos, morrer durante banho de sol no Complexo da Papuda, em Brasília.

    Indicado pelo presidente da República para ocupar a Procuradoria-Geral da República (PGR), Paulo Gonet, visita o Senado Federal.
    Gonet caminha pelo “túnel do tempo”, no Senado, durante visita a parlamentares / 29/11/2023 – Roque de Sá/Agência Senado

    Portinho e senadores aliados a Bolsonaro defendem que haja a substituição da prisão por medidas cautelares, como por exemplo o uso de tornozeleira eletrônica — para que os presos respondam pelos crimes fora da cadeia.

    Segundo relatos de senadores, Gonet afirmou que pautará sua atuação como fez ao longo da carreira: respeitando o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa e “agindo dentro da estrita letra da lei”.

    O indicado por Lula ouviu dos senadores a respeito do receio deles com relação ao que chamam de ativismo judicial. Os parlamentares pediram a Gonet equilíbrio, consistência em denúncias, atuação dentro dos limites da lei e a não criminalização da política.

    Durante a visita a um gabinete, Gonet e um senador concordaram, por exemplo, que o procurador que desejar fazer política partidária deverá renunciar ao cargo, filiar-se a um partido e buscar votos para se eleger.

    Simpatia do senadores

    O cenário para Gonet no Senado é muito diferente do que aguarda o ministro Flávio Dino, da Justiça e Segurança Pública, indicado ao Supremo Tribunal Federal.

    Enquanto Dino enfrenta grande resistência da oposição e apoio da base governista, Gonet conta com a simpatia de senadores conservadores e de direita e uma resistência velada de governistas.

    No caso de Gonet — que deve ser aprovado com facilidade —, a visita aos gabinetes representa um sinal de deferência aos senadores, que terão de sabatiná-lo na Comissão de Constituição e Justiça e votar seu nome no plenário.

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