Coronel da Ceagesp diz que convocou policiais para ato por ‘combate à corrupção’

No último domingo (22), o ex-comandante da Rota e atual presidente da companhia postou um vídeo pró-Bolsonaro chamando policiais “veteranos” para “impedir a entrada do comunismo no país”

Ricardo Augusto Nascimento de Mello Araújo ao lado do presidente Jair Bolsonaro na Ceagesp
Ricardo Augusto Nascimento de Mello Araújo ao lado do presidente Jair Bolsonaro na Ceagesp Arquivo pessoal

José Britoda CNN

em São Paulo

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Após convocar policiais pelas redes sociais para as manifestações marcadas para o dia 7 de setembro a favor do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o coronel da reserva da Polícia Militar de São Paulo e atual diretor presidente da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), Ricardo Augusto Nascimento de Mello Araújo, disse que teve a iniciativa de gravar o vídeo por ver a dificuldade em combater a corrupção dentro da estatal, que é ligada ao governo federal.

No último domingo (22), o ex-comandante da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), umas das tropas de elite da PM paulista, postou um vídeo usando uma camisa com identificação do batalhão, chamando policiais “veteranos” para “impedir a entrada do comunismo no país”.

“Podemos nos encontrar em frente ao 1º Batalhão de Choque, a Rota, Batalhão da Vanguarda, que participou de todos os movimentos, sempre a frente nos problemas que tivemos em nosso país. Nos concentrarmos lá, ao 12h45, ou 13h30, da estação Consolação. Quem tiver bandeira da sua unidade, levar bandeira de todas as unidades da Polícia Militar. Cada veterano levar suas bandeiras e faixas dando apoio ao nosso presidente Bolsonaro, para nós mostrarmos a força da força pública da Polícia Militar do estado de São Paulo”, disse Araújo no vídeo.

Participação em ato

Em entrevista à CNN, nesta segunda-feira (23), Mello Araújo afirmou que estará no ato pró-Bolsonaro e que a Ceagesp — por onde transitam 50 mil pessoas e 12 mil veículos por dia — teria dado a ele uma ideia proporcional do que o presidente estaria também enfrentando.

“Eu me deparei aqui com todo o tipo de corrupção, com pessoas querendo o mal da gente em todos os sentidos, ameaças de morte, fazer lobby para arrancar a gente daqui, tentar comprar a gente. Então, isso é um exemplo do que ocorre no nosso país e as pessoas de bem precisam se mover para mudar isso”, conta Ricardo.

Questionado pela reportagem sobre a possibilidade de usar a Rota para fins políticos — ao aparecer no vídeo com uma camiseta da corporação –, Mello Araújo disse que a roupa não era uma farda oficial, e que cada um precisa acionar as pessoas com quem se relaciona.

“A camiseta que eu usei não é uma camiseta que faz parte do uniforme. E eu trabalhei na Rota muitos anos, por isso que eu usei a camisa, para mostrar que eu faço parte da família policial. E assim eu usei para me manifestar como um cidadão, do mesmo jeito que você põe do São Paulo, do Palmeiras, do Corinthians… Eu botei a camisa do meu coração.”, argumentou.

Em dezembro do ano passado, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) participou da reinauguração da Torre do Relógio da Ceagesp, um monumento reformado por comerciantes e que foi pintado de verde e amarelo. Na ocasião, negou qualquer possibilidade de privatizar a companhia, que fica na zona oeste da capital paulista. Escolhido por Bolsonaro, Mello Araújo assumiu o cargo dois meses antes.

A CNN aguarda uma posição da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo e da Polícia Militar sobre as ações de Mello Araújo.

Coronel afastado

Nesta segunda-feira (23), o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afastou o chefe do Comando de Policiamento do Interior do estado, coronel Aleksander Lacerda, que teria convocado colegas para uma manifestação política em Brasília. Segundo o governador, o coronel da ativa foi afastado por indisciplina.

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