Coronel da PM-DF pede a Moraes revogação de prisão preventiva
Conduta do ex-comandante de operações Jorge Naime nos atos de 8 de janeiro é investigada

O ex-comandante de Operações da Polícia Militar do Distrito Federal, coronel Jorge Eduardo Naime, pediu nesta segunda-feira (20) ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a revogação da sua prisão preventiva.
O militar é investigado de suposta omissão e não cumprimento de ordens durante os atos de 8 de janeiro, que resultaram na invasão e vandalismo das sedes dos Três Poderes, em Brasília. Ele foi preso em 7 de fevereiro, em uma das fases da operação Lesa Pátria, da Polícia Federal (PF).
Segundo a defesa do coronel, todos as provas já levantadas na apuração indicam que ele “não contribuiu para os fatos criminosos e nem se omitiu nas suas funções públicas”. Os advogados também disseram não haver riscos de ele interferir nas investigações.
No pedido, os advogados de Naime disseram que ele estava de dispensa em 8 de janeiro e nos dias anteriores, “de modo que não era responsável pelo planejamento nem pela execução da operação”.
A presença de Naime foi solicitada pelo comando da Polícia Militar para ajudar a “reestabelecer a ordem” na Esplanada dos Ministérios.
"Naime assumiu a operação do Choque, já em andamento, no final da tarde do dia 8 de janeiro. Efetuou centenas de prisões. Entrou em luta corporal com um dos invasores, sendo gravemente lesionado nas pernas por rojão arremessado contra os policiais”, afirmaram os advogados.
A defesa também citou que Naime coordenou a operação de desmontagem do acampamento de bolsonaristas montado em frente ao Quartel General do Exército.
Depoimento
O coronel Naime prestou depoimento na quinta-feira (16) à Comissão Parlamentar de Investigação (CPI) dos Atos Antidemocráticos da Câmara Legislativa do Distrito Federal.
A oitiva havia sido autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes.
No depoimento, Naime afirmou que o Exército tentou impedir a prisão de manifestantes que participaram dos ataques criminosos às sedes dos Três Poderes em Brasília no dia 8 de janeiro.
O coronel disse que foi feita uma barreira com militares do Exército para impedir a prisão de suspeitos que participaram dos atos e que estavam instalados no acampamento que havia sido montado em frente ao Quartel-General do Exército.
“Uma linha de choque montada com blindados e, por interessante que parecesse, eles não estavam voltados para o acampamento. Eles estavam voltados para a PM, protegendo o acampamento”, afirmou.
“O tenente que era o oficial de dia no QG queria impedir que a gente prendesse as pessoas no gramado que fica ao lado da via N1. O argumento foi que o local era uma área do Exército e que a PM não poderia atuar”, acrescentou.


