CPI aposta em “inquéritos filhotes” para pressionar Aras a investigar o governo

Uma das principais apostas da CPI é em relação aos encaminhamentos que serão feitos para o Ministério Público Federal do Distrito Federal

Caio Junqueira

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Senadores do grupo que comandou a CPI da Pandemia – o chamado G7 – apostam na multiplicação de inquéritos filhotes pelo país como forma de pressionar o procurador-geral da República, Augusto Aras, a acelerar a investigação contra a cúpula do governo Bolsonaro.

Nesse sentido, o relatório final do senador Renan Calheiros (MDB-AL) deve ser dividido em diversas partes que serão distribuídas para órgãos de investigação em todo o país, como ministérios públicos federais e estaduais, polícias federal e civil e secretarias de segurança pública.

A expectativa é de que esse movimento comece a dar resultados como a apresentação de denúncias que possam constranger e pressionar a Procuradoria Geral da República a avançar na investigação contra a cúpula do governo Bolsonaro.

De acordo com o relatório do senador Renan Calheiros, serão remetidos a Aras pedidos de indiciamento do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e de mais 11 autoridades. São elas: os ministros Onyx Lorenzoni (Trabalho), Marcelo Queiroga (Saúde), Braga Netto (Defesa), Wagner Rosário (CGU); os deputados federais governistas Osmar Terra (MDB-RS), Ricardo Barros (PP-PR), Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), Bia Kicis (PSL-DF) , Carla Zambelli (PSL-SP) e Carlos Jordy (PSL-RJ); os senadores Flávio Bolsonaro (Patriotas-RJ)) e o governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC-AM).

Essa cúpula corresponde a menos de 15% dos 81 pedidos de indiciamento. Todo o restante será distribuído pelo país, já que se trata de pessoas sem prerrogativa de foro. Sete pedidos de indiciamento serão analisados pelos ministérios públicos federais e outros 57 aos ministérios públicos estaduais.

Uma das principais apostas da CPI é em relação aos encaminhamentos que serão feitos para o Ministério Público Federal do Distrito Federal, uma vez que ali já há investigações avançadas sobre boa parte do que a CPI apurou. Por exemplo, a compra de vacinas Covaxin e a utilização do aplicativo Tratecov.

No Amazonas, por exemplo, há uma investigação também avançada sobre a crise do oxigênio em Manaus. Em São Paulo, uma força-tarefa do Ministério Público Estadual já apura o caso Prevent Senior.

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