CPI da Pandemia convoca Luciano Hang e advogada de dossiê contra Prevent Senior

Defensora vai à comissão falar sobre documento que questiona condução do tratamento de pacientes com o novo coronavírus na rede da empresa; mãe do empresário teria tido a Covid-19 omitida de declaração de óbito

Giovanna GalvaniGuilherme Venagliada CNN

em São Paulo

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A CPI da Pandemia aprovou nesta quinta-feira (23) as convocações do empresário Luciano Hang e da advogada Bruna Morato, que representa um grupo de médicos que produziram um dossiê com informações sobre possíveis irregularidades na operadora de saúde Prevent Senior.

A defensora será ouvida na terça-feira (28), às 10h, representando os 12 médicos que fazem a denúncia contra a empresa. O empresário, dono da rede de lojas Havan, será ouvido no dia seguinte, quarta-feira (29), no mesmo horário.

A ida da advogada à comissão foi antecipada pelo analista de política da CNN Gustavo Uribe, que informou que a própria profissional foi quem procurou o presidente da CPI, o senador Omar Aziz (PSD-AM), para se oferecer a prestar depoimento.

O dossiê apresentado pelos clientes de Bruna Morato aponta supostas irregularidades na condução do tratamento de pacientes com a Covid-19 na rede da Prevent Senior. Uma das irregularidades seria a omissão da doença do novo coronavírus no atestado de óbito de diversos pacientes, entre eles o pediatra Anthony Wong e Regina Hang, a mãe do empresário Luciano Hang.

O documento ainda inclui a acusação de que a Prevent Senior teria conduzido de forma irregular estudos sobre o uso do chamado “Kit Covid”, com medicamentos sem eficácia comprovada para tratar a doença do novo coronavírus. A empresa é suspeita de ter ministrado os medicamentos sem autorização de parte dos familiares e de ter ocultado o uso do tratamento em pacientes que morreram após contrair a Covid-19.

Em depoimento à CPI, o diretor-executivo da empresa, Pedro Batista Júnior, admitiu que a Prevent Senior orientou médicos a alterarem o CID — o código utilizado mundialmente para identificar e diferenciar as doenças — de pacientes com Covid-19 após um período de internação, o que teria resultado em um número subdimensionado de mortes em razão da doença na rede da empresa.

Batista Júnior, no entanto, negou as irregularidades no estudo, acusou revanchismo de ex-colaboradores da empresa e defendeu a política de alterar o CID, argumentando que após o período previsto pela Prevent — de 14 dias em enfermaria ou 21 dias em UTI — as mortes não deveriam ser atribuídas à Covid-19.

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