CPI do Master restrita recebe maior apoio do PT do que CPMI da oposição

Enquanto proposta de colegiado na Câmara se focaria em negociações do Banco Master com o BRB (Banco de Brasília), comissão mista no Congresso teria escopo de investigações mais abrangente

Luciana Amaral, da CNN Brasil, Brasília
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A proposta de criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) de escopo mais restrito sobre o Banco Master tem encontrado maior respaldo entre deputados do PT do que a CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito), encabeçada por partidos de oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Congresso Nacional.

Nesta segunda-feira (2), o deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), de oposição ao governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), protocolou na Câmara um pedido de CPI focado em investigar as negociações do Master com o BRB (Banco de Brasília).

São 201 assinaturas em apoio à iniciativa, até o momento. Destas, 42 são de deputados do PT. Internamente, não há consenso. O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), não assina. O novo líder do PT na Casa, Pedro Uczai (PT-SC), por sua vez, assina.

Também há assinaturas de parlamentares de outros partidos de esquerda, de oposição e alguns de centro.

Mesmo assim, a perspectiva é que o pedido tenha dificuldades para sair do papel, tanto pelo aspecto político quanto pela fila de CPIs já existente na Câmara dos Deputados.

“O que existe agora é uma decisão política. Depende exclusivamente da vontade política do presidente da Câmara e dos líderes partidários. Não há nenhuma CPI em funcionamento neste momento. Portanto, a CPI do Banco Master pode e deve ser instalada imediatamente”, afirmou Rollemberg, em nota.

Já a CPMI, que reúne deputados e senadores, só tinha recebido o apoio do senador petista Fabiano Contarato (PT-ES), até sexta-feira passada (30).

Esse eventual colegiado é visto com maior resistência pelo PT por ser sugestão da oposição — a autoria é de Carlos Jordy (PL-RJ) — e por ser mais abrangente.

Portanto, em tese, mais difícil de controlar os temas abordados e passível de servir de palanque eleitoral de bolsonaristas, se desvirtuando de questões técnicas, na avaliação de petistas.

A perspectiva é de que qualquer decisão por parte dos presidentes da Câmara e do Senado só seja ratificada depois do Carnaval. Até o momento, a mensagem percebida por lideranças é de que Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) resistem às iniciativas.