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    CPI do MST deve votar relatório nesta quinta (21), com pedido de indiciamento de ex-ministro

    Base governista também elaborou um relatório paralelo para ser apresentado em contraponto ao parecer do relator da comissão, Ricardo Salles

    O deputado federal Ricardo Salles (PL-SP) é relator da CPI do MST
    O deputado federal Ricardo Salles (PL-SP) é relator da CPI do MST Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

    Mayara da Pazda CNN

    Brasília

    A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) vota, nesta quinta-feira (21), o parecer final do relator Ricardo Salles (PL-SP). A sessão está marcada para as 8h.

    A expectativa era que o documento fosse apresentado por Salles e votado pela comissão na semana passada, quando a CPI deveria ter sido encerrada. O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), porém, prorrogou o funcionamento dos trabalhos em uma semana.

    O relatório foi obtido pelo analista da CNN Caio Junqueira. Nele, Salles sugere o indiciamento de mais de 10 pessoas, entre elas:

    • Gonçalves Dias, ex-ministro do Gabinete Institucional de Segurança (GSI);
    • José Rainha, líder da Frente Nacional de Luta (FNL);
    • Valmir Assunção, deputado federal do PT pela Bahia;
    • Jaime Messias Silva, diretor-superintendente do Instituto de Terras e Reforma Agrária de Alagoas (Iteral).

    Nos bastidores, porém, o relator admite que poderá retirar o nome do deputado Valmir Assunção como uma “moeda de troca” para garantir a aprovação do relatório.

    Relatório paralelo

    A base governista também elaborou um relatório paralelo. Apesar disso, a ideia é que o documento seja apresentado apenas como registro e em contraponto ao parecer do relator.

    O texto dos governistas não fala em indiciamentos e diz que “não se encontrou qualquer evidência de crime” por parte do MST.

    “Ao final, o que se tem evidenciado é a legitimidade dos movimentos sociais, especialmente do MST e da FNL, ouvidos na CPI, e o reconhecimento dos mesmos perante a sociedade, as instituições e o Poder Público”, diz o documento.

    O parecer paralelo ainda faz algumas recomendações sobre conflitos agrários, como combater a grilagem de terras públicas e fortalecer os mecanismos de negociação e solução pacífica de conflitos fundiários coletivos.

    CPI do MST

    A comissão do MST foi instalada em maio, motivada pelas invasões que o movimento fez neste ano. Entre janeiro e abril, por exemplo, foram feitas 33 invasões de imóveis rurais pelo Brasil, número que supera o total de ações em cada um dos últimos cinco anos.

    No início de agosto, a CPI chegou a perder força quando o governo realizou uma manobra para esvaziar a comissão. Relator do colégio, Salles chegou a dizer que encurtaria os trabalhos para apresentar seu relatório antes do prazo final, na primeira semana de setembro, mas depois voltou atrás.

    No mesmo mês, PP e Republicanos articularam substituições de deputados no colegiado, o que poderia fazer com que o número de adversários do Palácio do Planalto aumentasse. Se confirmado o movimento, a oposição poderia voltar a ser maioria na CPI.

    Vídeo: CPI do MST chega ao fim com guerra de relatórios