CPMI do INSS aprova convocação de cunhado e ex-namorada de Vorcaro

Comissão de inquérito adiou análise de pedidos que miravam o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Netto; colegiado rejeitou convocar Roberta Luchsinger, apontada como amiga de Lulinha

Emilly Behnke, da CNN Brasil, Brasília
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Após cancelar os depoimentos previstos para esta manhã, a CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS aprovou nesta quinta-feira (12) um pacote de requerimentos de convocação, de presença obrigatória. Os pedidos miram nomes ligados às fraudes do INSS e ao caso do Banco Master.

Foram aprovados dois requerimentos para ouvir Fabiano Campos Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Master. O empresário está preso desde quarta-feira (4), após se entregar à PF (Polícia Federal) depois de ser alvo da última fase da operação Compliance Zero.

Um outro requerimento que recebeu aval da comissão pede a convocação da ex-namorada de Vorcaro Martha Graeff, que teve vazadas mensagens pessoais trocadas com o ex-banqueiro. A CNN tenta contato com Zettel e com a ex-companheira de Vorcaro para se manifestarem. O espaço está aberto.

A CPMI aprovou ainda a convocação de dois ex-diretores do Banco Master: Ângelo Antônio Ribeiro da Silva, que também era sócio da instituição, e Luiz Antônio Bull, ex-diretor de Riscos, Compliance, Recursos Humanos, Operações e Tecnologia. Por irregularidades identificadas, o Master foi alvo de liquidação extrajudicial, determinada pelo Banco Central em novembro do ano passado.

Na reunião desta quarta, o presidente da comissão, Carlos Viana (Podemos-MG), também anunciou a retirada de pauta de dois requerimentos que miravam o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Netto, que comandou a autoridade monetária entre 2019 e 2022.

Os pedidos devem voltar à pauta na próxima semana, quando a comissão tem prevista a análise da convocação do atual presidente do BC, Gabriel Galípolo.

Pedidos rejeitados

Governistas garantiram a maioria nas votação e conseguiram barrar pedidos patrocinados pela oposição. O colegiado rejeitou por 16 votos a 12 a convocação da empresária Roberta Luchsinger, apontada como amiga de Lulinha, o filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Os dois tiveram as quebras de sigilo aprovadas pela CPMI e, depois, anuladas por decisão do ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), na semana passada.

Apesar de não ser formalmente investigado pela PF, o nome de Lulinha foi citado após operações de busca e apreensão contra Roberta Luchsinger envolvendo as fraudes no INSS. Em dezembro do ano passado, a maioria da CPMI já havia rejeitado o requerimento de convocação da empresária.

Em outra frente relacionada a Lulinha, a comissão também rejeitou, por 14 votos a 12, pedido para ouvir Edson Claro, ex-funcionário de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS". Em depoimento à PF, Edson Claro afirmou que Lulinha recebia uma "mesada" de R$ 300 mil de Antunes. A convocação dele já havia sido rejeitada pela comissão em setembro do ano passado.

Outro pedido pautado e rejeitado, por 17 votos a 11, mirou a publicitária Danielle Miranda Fonteles, que teria atuado em campanhas de candidatos do PT. Em dezembro do ano passado, a maioria da CPMI já havia rejeitada convocá-la. Antes, em outubro, a comissão também rejeitou a quebra de sigilo da publicitária.

Também foi derrotado, por 15 votos a 11, o pedido para convocar José Antonio Batista Costa, presidente da J&F Participações e integrante do conselho do banco PicPay. O requerimento foi apresentado pelo relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), que defendia ouvir esclarecimento sobre repasses da J&F para empresas envolvidas no esquema de fraudes do INSS.

Oitivas canceladas

A comissão tinha inicialmente quatro oitivas previstas, mas os depoimentos foram cancelados e alguns já remarcados.

O colegiado esperava ouvir Artur Ildefonso Brotto Azevedo, CEO do Banco C6; Paulo Gabriel Negreiros de Almeida, tesoureiro da CBPA (Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura); e Lea Bressy Amorim, diretora de Tecnologia da Informação do INSS.

Por licença de tratamento de saúde, Lea Bressy Amorim comunicou à CPMI que não poderia comparecer. Viana determinou realização de perícia média e a remarcação da oitiva. Já o CEO do C6 alegou compromisso previamente agendado e pediu o reagendamento. As duas oitivas foram remarcadas para quinta-feira (19).

Carlos Viana informou que Paulo Negreiros encontra-se preso na Paraíba e a CPMI ainda aguarda retorno do STF para viabilizar o depoimento.

O colegiado também previa ouvir Leila Pereira, presidente do Palmeiras e da Crefisa. No entanto, em decisão publicada na quinta-feira (11), o ministro Flávio Dino assegurou que ela não seja submetida a condução coercitiva e a possibilidade de remarcação do depoimento. Segundo Viana, a oitiva dela está marcada para a próxima quarta-feira (18).