CPMI do INSS: ex-coordenador nega irregularidades ao depor coercitivamente

Jucimar Fonseca da Silva deu parecer favorável que levou à autorização do desbloqueio em lote para inclusão de descontos associativos

Mateus Salomão, da CNN Brasil, Brasília
ex-coordenador-geral de Pagamento de Benefícios do INSS, Jucimar Fonseca da Silva
O ex-coordenador-geral de Pagamento e Benefícios do INSS, Jucimar Fonseca da Silva  • Carlos Moura/Agência Senado
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O ex-coordenador-geral de pagamentos e benefícios do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) Jucimar Fonseca da Silva depôs à CPMI (comissão parlamentar mista de inquérito) nesta terça-feira (2). Durante a oitiva, ele negou ciência de irregularidades ao tomar decisões que permitiram descontos fraudulentos.

O ex-servidor sofreu condução coercitiva após ser localizado pela Polícia Legislativa no estado do Amazonas. Solicitado pelo colegiado, o procedimento funciona como uma autorização para que a polícia leve uma pessoa à força para depor.

O depoimento de Jucimar, apesar de esperado pelos deputados e senadores, vinha sendo adiado por meio da apresentação de atestado médico pela defesa. Jucimar foi afastado do cargo em abril deste ano, quando a operação da PF (Polícia Federal) sobre fraudes e irregularidades no instituto foi deflagrada.

Conforme aponta a investigação, Jucimar participou do processo que levou à autorização do desbloqueio em lote para inclusão de descontos associativos a pedido da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag).

Questionado na CPMI se, na ocasião, sabia do alto número de reclamações, Jucimar disse que a ouvidoria mandava relatórios e “os números não eram esses”. “Eu soube pela mídia, mas oficialmente o que nós tínhamos lá...”, disse.

À CPMI, Jucimar negou ainda ter recebido qualquer propina e afirmou que os critérios que levaram à sua nomeação eram técnicos.

“Eu era um Coordenador-Geral e sobre a minha... Eu estava sob a autoridade hierárquica do Diretor de Benefícios, do Presidente do INSS, portanto eu não tinha poder decisório sobre essas questões que estão sendo apontadas pela CPI”, destacou.

Jucimar disse ainda que nunca assinou autorização de pagamento porque “não era ordenador de despesa para pagamento de entidade”, mas que apenas acompanhava.