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    Lula encontra chanceler da Alemanha em último dia da cúpula Celac-UE

    Presidente brasileiro se encontrará com primeiros-ministros da Suécia, Dinamarca, Áustria e Alemanha, além de participar da sessão plenária do evento

    Douglas Portoda CNN

    em São Paulo

    A Cúpula da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e da União Europeia (UE), que acontece em Bruxelas, na Bélgica, termina nesta terça-feira (18).

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciará o dia, às 3h (de Brasília), com um café da manhã com lideranças progressistas.

    A partir das 4h30, estará na sessão plenária da cúpula.

    Às 5h30, terá um encontro com o primeiro-ministro da Suécia, Ulf Kistersson. Às 6h30, terá uma reunião com o chanceler federal da Áustria, Karl Nehammer.

    Às 8h, acontece sua live semanal, intitulada “Conversa com o Presidente”. A partir das 10h15, estará em uma audiência com a primeira-ministra da Dinamarca, Metter Frederiksen.

    Em seu último compromisso, às 11h, conversará com o chanceler da Alemanha, Olaf Scholz.

    Lula diz que guerra canaliza recursos essenciais para fins bélicos

    Durante a abertura do fórum empresarial da cúpula, nesta segunda-feira (17), Lula reforçou novamente aos europeus sua crítica ao envio de armamentos para a Ucrânia.

    “A guerra no coração da Europa lança sobre o mundo o manto da incerteza e canaliza para fins bélicos recursos até então essenciais para a economia e para programas sociais. A corrida armamentista dificulta ainda mais o andamento da mudança do clima”, afirmou Lula.

    O chefe do Executivo tem reforçado que o Brasil condena a invasão à Ucrânia e que adotou essa posição, inclusive, na Organização das Nações Unidas (ONU). Entretanto, ele acredita que o envio de armas aos ucranianos por potências ocidentais contribui para prolongar a guerra.

    Lula amenizou o tom sobre os norte-americanos e europeus depois da declaração feita em abril, nos Emirados Árabes Unidos, de que Europa e Estados Unidos contribuem para prolongar a guerra.

    A fala, muito criticada, levou a União Europeia a rechaçar suas declarações e a Casa Branca a dizer que Lula “‘papagueia’ propaganda russa”.

    Acordo Mercosul-União Europeia

    A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e Lula tiveram um encontro bilateral durante o dia de evento.

    Após a reunião, Von der Leyen mencionou a intenção do bloco europeu em fazer o acordo com o Mercosul avançar. O presidente brasileiro, que discursou logo na sequência, não fez menção ao assunto inicialmente.

    Segundo a líder europeia, o bloco quer “trabalhar de mãos dadas” com o Brasil para lidar com os grandes desafios atuais, enfatizando a importância do acordo.

    “Queremos discutir hoje como conectar mais os nossos povos, empresas, como reduzir o risco, reforçar e diversificar as cadeias de abastecimento e como modernizar nossas economias de forma a reduzir as desigualdades e trazer benefícios a todos. Tudo isso é possível se conseguirmos concluir o acordo União Europeia e Mercosul”, disse von der Leyen.

    Ela completou que a UE quer resolver discordâncias entre os países para finalizar a parceria: “A nossa ambição é resolver quaisquer diferenças que ainda existam o quanto antes possível para podermos concluir este acordo. Queremos ser um parceiro que possa chegar a um acordo ‘ganha-ganha’ que dê benefícios a todos.”

    Lula só citou o assunto durante a abertura da cúpula, dizendo que pretende finalizar o acordo neste ano. Entretanto, repetiu suas resistências, citando as compras governamentais.

    “Um acordo entre o Mercosul e a União Europeia equilibrado, que pretendemos concluir ainda neste ano, abrirá novos horizontes. Queremos um acordo que preserve a capacidade das partes de responder os presentes desafios e futuros. As compras governamentais são um instrumento vital para articular investimentos em infraestrutura e sustentar a nossa política industrial”, expôs Lula.

    O chefe do Executivo brasileiro afirmou ainda que os Estados Unidos e a União Europeia saíram na frente e já adotam políticas industriais ambiciosas baseadas em compras públicas e conteúdo nacional.

    Ele teme que as empresas europeias roubem espaço das empresas nacionais com a permissão para participarem de licitações públicas, conforme prevê o acordo.

    Também na abertura do fórum empresarial, Pedro Sánchez, primeiro-ministro espanhol, que assumiu a presidência da União Europeia em julho, afirmou que a Espanha fará esforços para que o acordo seja finalizado neste ano. Sanchez explicou que está trabalhando para que os países resolvam as questões climáticas e superem dificuldades.

    Regulamentação de redes sociais

    Ainda durante seu discurso, Lula pediu a regulamentação das redes sociais.

    “É urgente regulamentarmos o uso das plataformas para combater ilícitos cibernéticos e a desinformação. O que é crime na vida real, deve ser crime no ‘mundo digital’”, disse Lula.

    Também foi citada pelo presidente a questão do trabalho via aplicativos e plataformas digitais.

    Em sua opinião, “aplicativos e plataformas não podem, simplesmente, abolir as leis trabalhistas pelas quais tanto lutamos. A precarização do trabalho precisa ser revertida”.

    Para solucionar o problema, Lula solicitou o resgate da indústria, que “seja intensiva em tecnologia e voltada para a sustentabilidade, como grande motor da geração de empregos de qualidade”.

    A Aliança Digital América Latina e Caribe e União Europeia, conforme o presidente brasileiro, está permitindo o avanço na coordenação de políticas públicas, focando em governança, investimentos e transferência de tecnologia.

    “A iniciativa do Secretário-geral da ONU sobre integridade da informação e a agenda da Unesco sobre regulação de plataformas digitais também constituem aportes fundamentais para o debate multilateral sobre governança”, disse Lula.