Declaração de Flávio motivou adiamento de visita de Tarcísio, dizem fontes

Aliados do governador dizem que ele "evitou bronca" ao desmarcar encontro com ex-presidente Bolsonaro

Pedro Venceslau e Vinícius Murad, da CNN Brasil, São Paulo
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O adiamento da visita do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, teve motivação oficial ligada a compromissos de agenda no estado, mas, nos bastidores, envolve disputas no campo da direita sobre a eleição presidencial de 2026.

Declaração de Flávio Bolsonaro à CNN Brasil na terça-feira (21) foi considerada um fator determinante para a decisão de Tarcísio de não ir a Brasília neste momento.

À CNN Brasil, o senador afirmou que Bolsonaro pretendia receber o governador para reforçar a cobrança por apoio explícito à sua candidatura ao Planalto e à estratégia nacional do grupo político.

“Primeiro, acredito que ele [Tarcísio] queira visitar o amigo Jair. Tarcísio gosta muito do Bolsonaro e sempre pergunta como ele está. Em segundo, para ouvir da boca de Bolsonaro que ele está fazendo um grande trabalho como governador de São Paulo e que sua reeleição é fundamental para a estratégia nacional de derrotar o PT”, disse Flávio à CNN Brasil.

A leitura, entre aliados do ex-presidente, é que Bolsonaro pretendia cobrar de Tarcísio um gesto público e inequívoco de apoio à candidatura de Flávio à Presidência, diante da desconfiança de parte do grupo sobre uma possível movimentação do governador paulista em direção à disputa nacional.

Flávio afirmou ainda à Tainá Falcão que conversou com Tarcísio no último fim de semana, ocasião em que o governador teria reiterado ser candidato à reeleição em São Paulo e que apoiaria o senador na corrida presidencial.

Nos bastidores do governo paulista, porém, o ambiente é descrito como mais tenso. Uma fonte ligada ao Palácio dos Bandeirantes, ouvida sob reserva, afirmou que a avaliação interna era de que a visita poderia resultar em um ultimato político.

Segundo essa fonte, Tarcísio evitaria, neste momento, um gesto que o vinculasse de forma definitiva ao projeto presidencial de Flávio, o que limitaria sua capacidade de articulação futura.

Outra fonte do alto escalão do governo paulista afirmou que o adiamento também se deu por compromissos no interior do estado que não puderam ser remarcados, reforçando a justificativa formal apresentada pelo Palácio dos Bandeirantes.

Em nota, o governo de São Paulo afirmou apenas que “a visita do governador Tarcísio de Freitas ao presidente Bolsonaro será adiada a pedido do governador para cumprimento de compromissos em São Paulo” e que uma nova data será solicitada. O comunicado não detalha quais agendas motivaram o cancelamento.

A visita havia sido autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), e seria a primeira de uma autoridade do Executivo estadual ao ex-presidente desde a prisão.

O adiamento foi interpretado por aliados de Bolsonaro como sinal de cautela de Tarcísio diante do cenário eleitoral e das pressões internas no campo conservador.