Decotelli pode ter de refazer mestrado ou até perder o título, diz FGV

Segundo pró-reitor, quando ex-ministro defendeu o mestrado, não havia ainda o software que identifica se há plágio

O ministro da Educação, Carlos Alberto Decotelli
O ministro da Educação, Carlos Alberto Decotelli Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

José Brito

Da CNN, em São Paulo

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Um dia após Carlos Alberto Decotelli pedir demissão e deixar o Ministério da Educação, antes mesmo de tomar posse, uma reunião virtual entre o presidente da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Carlos Ivan Simonsen Leal, e todos os diretores da instituição de ensino discutirá a volta às aulas em meio a pandemia da Covid-19 e o caso do ex-ministro deve surgir na agenda.

A principal questão que deve ser abordada sobre o assunto, nesta quarta-feira (1º), é a investigação interna sobre o mestrado profissional feito pelo professor com indícios de plágio e que foi defendido na FGV, entre os anos de 2006 e 2008.

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“Quando ele defendeu o mestrado, naquela época, não havia o software que identifica se há plágio. Eu vejo ele como um bom professor e nunca soube de nada que fosse desabonador a ele até agora. Estou chateado com isso. Eu nem li o jornal desde ontem”, disse o pró-reitor da fundação, António de Araújo Freitas Júnior, em entrevista à CNN. Ele também foi o orientador da tese de Doutorado ‘Gestão de Riscos na Modelagem dos Preços da Soja’ que não foi finalizada por Decotelli. 

Segundo Araújo, três ex-diretores da FGV, que são professores da Escola Brasileira Administração Pública e de Empresas (Ebape), formam a comissão que vai apurar os questionamentos referentes à dissertação. “Eles vão examinar com uma lupa o que ocorreu para ser justo e tomarão as providências pró ou contra Decotelli. O limite superior pode ser perder o título de mestre, mas espero que entendam que ele possa refazer o trabalho. A Fundação não tem interesse em penalizar o ser humano, portanto imagino que o mais provável seja ele ter que refazer o trabalho”, explicou.

Para o pró-reitor, o ex-ministro não deixou o governo por conta da carta feita pela FGV, mas o motivo teria sido o conjunto da obra. “Ele era professor de educação continuada Lato Sensu, com vínculo de Pessoa Jurídica. Ele nunca deu aula em uma escola regular da Fundação, por isso não foi planejada uma análise do currículo dele”, disse Antonio. 

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