Defesa de Cid: Foi através dele que se descobriu a reunião com comandantes

De acordo com a investigação, encontro entre Bolsonaro e chefes das Forças Armadas teria o intuito de discutir alternativas à vitória de Lula

Gabriela Boechat, Davi Vittorazzi e Manoela Carlucci, da CNN, Brasília e São Paulo
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De acordo com a defesa do tenente-coronel Mauro Cid, foi através dele que a investigação pôde tomar conhecimento de uma reunião que teria sido realizada entre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e os chefes das Forças Armadas.

"Foi através dele que se descobriu a reunião com os comandantes que hoje é, na verdade, o cerne da ação penal", afirmou o advogado Jair Alves Pereira.

Segundo as investigações, neste encontro, teriam sido discutidas alternativas para impedir o retorno de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência.

Anteriormente, em delação premiada, Cid havia dito ao STF que houve uma discussão e também elaboração de uma minuta de decreto pensada para impedir a posse de Lula.

De acordo com ele, o documento previa, inicialmente, a decretação do estado de defesa e a prisão de uma série de autoridades.

"Se Cid não diz que a minuta teria sido apresentada aos comandantes, ninguém saberia disso. Mas, hoje, não há mais como negar", afirmou o advogado durante a sustentação da defesa do ex-ajudante de ordens no STF.

Os advogados de Cid foram os primeiros a fazer a apresentação aos ministros, pelo tenente-coronel ser colaborador no processo.

Quem são os réus do núcleo 1?

Além do ex-presidente Jair Bolsonaro, o núcleo crucial do plano de golpe conta com outros sete réus:

  • Alexandre Ramagem, deputado federal e ex-presidente da Abin (Agência Brasileira de Inteligência);
  • Almir Garnier, almirante de esquadra que comandou a Marinha no governo de Bolsonaro;
  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça de Bolsonaro;
  • Augusto Heleno, ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) de Bolsonaro;
  • Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro;
  • Paulo Sérgio Nogueira, general e ex-ministro da Defesa de Bolsonaro;
  • Walter Souza Braga Netto, ex-ministro da Defesa e da Casa Civil no governo de Bolsonaro, candidato a vice-presidente em 2022.

Por quais crimes os réus estão sendo acusados?

Bolsonaro e outros réus respondem na Suprema Corte a cinco crimes. São eles:

  • Organização criminosa armada;
  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
  • Golpe de Estado;
  • Dano qualificado pela violência e ameaça grave;
  • Deterioração de patrimônio tombado.

A exceção fica por conta de Ramagem. No início de maio, a Câmara dos Deputados aprovou um pedido de suspensão da ação penal contra o parlamentar. Com isso, ele responde somente aos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.

Cronograma do julgamento

Foram reservadas pelo ministro Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma, cinco datas para o julgamento do núcleo crucial do plano de golpe. Veja:

  • 2 de setembro, terça-feira: 9h às 12h (Extraordinária) e 14h às 19h (Ordinária)
  • 3 de setembro, quarta-feira: 9h às 12h (Extraordinária)
  • 9 de setembro, terça-feira: 9h às 12h (Extraordinária) e 14h às 19h (Ordinária)
  • 10 de setembro, quarta-feira, 9h às 12h (Extraordinária)
  • 12 de setembro, sexta-feira, 9h às 12h (Extraordinária) e 14h às 19h (Extraordinária)