Defesa de Karina Kufa diz que convocação pela CPI é ‘constrangimento ilegal’

Luciana Pires, advogada do senador Flávio Bolsonaro, é quem fará a defesa de Kufa; ela alega que tomará 'todas as medidas judiciais cabíveis contra o depoimento'

Defesa contesta convocação da advogada Karina Kufa pela CPI da Pandemia
Defesa contesta convocação da advogada Karina Kufa pela CPI da Pandemia Reprodução/karinakufa/Facebook

Iuri CorsiniGiovanna Galvanida CNN

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Luciana Pires, advogada do senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), será a defensora da também advogada Karina Kufa, que teve aprovada a convocação para depor à CPI da Pandemia. Segundo alguns senadores, Kufa, que representa o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), é suspeita de ter promovido um encontro entre Marconny Faria, suposto lobista da Precisa Medicamentos, e o ex-secretário da Anvisa, José Ricardo Santana.

De acordo com membros da CPI da Pandemia, Faria é o lobista que teria tentado obter privilégios para a Precisa Medicamentos junto ao Ministério da Saúde. Já Santana teria participado do jantar em que, como alegou o policial militar Luiz Paulo Dominghetti, teria havido um pedido de propina para a compra de vacinas contra Covid-19.

Além de Luciana Pires, Karina Kufa também será representada pelos advogados André Callegari e Ariel Webber. Em nota, os três divulgaram que, caso a CPI insista na convocação, a defesa “tomará todas as medidas judiciais cabíveis contra o depoimento”, que chamaram de “constrangimento ilegal”.

“A convocação da Dra. Karina Kufa é uma tentativa de constranger uma advogada em razão dos clientes que defende. Toda a menção que tem sido feita a ela vem acompanhada da qualificação ‘advogada do Presidente’. O requerimento de convocação da Dra. Karina criminaliza o próprio exercício da advocacia”, escreveram.

Segundo Luciana Pires, a defesa aguarda a forma como será feita a convocação para definir como agir. Por isso, neste momento, ainda não é possível delimitar qual será a ação adotada.

A convocação de Kufa à CPI foi aprovada na sessão de terça-feira (31). O requerimento foi apresentado pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da Comissão. Ele solicitou que a advogada preste esclarecimentos sobre o jantar promovido em sua casa, ocasião em que Marconny Faria teria sido apresentado a José Ricardo Santana.

“O depoimento da advogada Karina Kufa é de extrema importância para os trabalhos desta CPI, uma vez que pode esclarecer sua participação e de outros personagens do seu círculo de amizades nas negociações envolvendo contratos com o Ministério da Saúde”, disse o senador, na ocasião.

Randolfe destacou que a convocação não se dava pelo trabalho de Kufa junto ao presidente Bolsonaro e a seu filho e Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), dois membros da família para quem ela já atuou. “Não estamos convocando Karina Kufa por ser advogada do presidente, e sim pelos diálogos que ela teve com vários lobistas que estão sendo investigados nessa CPI”, defendeu.

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