Defesa de Lula vê cálculo político em saída de Moro do Ministério da Justiça

Advogado Cristiano Zanin Martins diz que pedido de demissão "não consegue apagar histórico de perseguições"

Leonardo Lellis

Da CNN, em São Paulo

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Cristiano Zanin Martins
O advogado Cristiano Zanin Martins, na sede da Polícia Federal em São Paulo
Foto: Rovena Rosa – 26.jan.18/Ag. Brasil

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) observou haver um componente político no pedido de demissão de Sergio Moro do comando do Ministério da Justiça. O ex-juiz, que condenou Lula na operação Lava Jato, anunciou sua saída após o presidente Jair Bolsonaro retirar o delegado Maurício Valeixo do comando da Polícia Federal. 

“No comunicado feito à ONU em 2016 afirmamos que Moro estava construindo uma carreira política como juiz. Isso se confirmou com a ida dele ao Ministério da Justiça. O cálculo político me parece que continua presente nas suas ações”, afirmou o advogado Cristiano Zanin Martins, que representa o ex-presidente na Justiça — desde que deixou a magistratura, Moro é cotado para disputar as eleições de 2022.

Zanin também criticou a atuação do ex-juiz à frente da Lava Jato, a quem acusa de agir com parcialidade. “Moro sai do governo Bolsonaro mas não consegue apagar o histórico de perseguições que o levou até lá, como está descrito no processo que levamos ao Comitê de Direitos Humanos da ONU e na suspeição que tramita no STF.”

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No processo que corre no Supremo, a defesa tenta obter a anulação da condenação de Lula no processo relacionado ao tríplex do Guarujá, que rendeu 1 ano e 5 meses de prisão ao ex-presidente na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba. Este julgamento foi iniciado em dezembro de 2018, interrompido por um pedido de vista e ainda não foi concluído. 

Indicação ao STF

Em pronunciamento nesta sexta, Bolsonaro afirmou que Moro condicionou uma troca no comando da Polícia Federal a uma indicação para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). No segundo semestre, o decano da corte, ministro Celso de Mello, será aposentado compulsoriamente por idade. Moro nega.

“Mais de uma vez, o senhor Sergio Moro disse para mim: Você pode trocar o Valeixo sim, mas em novembro, depois que você me indicar para o Supremo Tribunal Federal”, afirmou o presidente, em referência a Mauricio Valeixo, que foi exonerado do cargo de diretor-geral da Polícia Federal pela manhã. “É desmoralizante para um presidente ouvir isso. Mais, ainda, externalizar”. 

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