Defesa de pai de Vorcaro pede revogação de prisão preventiva ao STF
Advogados também negam acusação de que Henrique Vorcaro teria comprado silêncio de irmã de Sicário, que morreu carceragem da PF

A defesa de Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro e dono do Banco Master Daniel Vorcaro, solicitou nesta sexta-feira (19) a revogação de sua prisão preventiva ou a substituição da medida por cautelares menos gravosas.
Em petição protocolada ao ministro André Mendonça, do STF, os advogados sustentam que a manutenção da prisão foi baseada em um relatório da PF (Polícia Federal) que teria sido apresentado ao colegiado sem que a defesa tivesse tido acesso prévio ao conteúdo.
Segundo os defensores, trechos do documento foram usados como fundamentação da prisão preventiva durante o julgamento que confirmou a medida.
Defesa nega compra de silêncio de irmã de Sicário
Os advogados também pediram que seja realizado o depoimento de Joana Mourão, irmã de Luiz Fellipe Mourão, conhecido como Sicário, para esclarecer acusações de que pessoas ligadas a Henrique Vorcaro teriam tentado comprar seu silêncio.
Na última quarta-feira (17), veio a público um relatório da Polícia Federal que aponta conversas encontradas em celulares de investigados.
Em uma delas, Joana afirma possuir documentos que poderiam comprometer Henrique Vorcaro e sua família.
A PF sustenta que Manoel Mendes Rodrigues, conhecido como Manolo e apontado pelos investigadores como "braço direito" de Henrique, teria atuado para intermediar pagamentos destinados a evitar que Joana colaborasse com as apurações.
Os investigadores destacam ainda que Joana relatou dificuldades financeiras e cobrou pessoas próximas a Henrique Vorcaro, afirmando estar em situação de desespero.
A defesa afirma que nunca houve tentativa de compra de silêncio e que os contatos partiram da própria Joana Mourão, que buscava receber valores que considerava devidos à família de Sicário.
De acordo com os advogados, Joana teria assediado Thiago Assumpção, sócio e advogado de Henrique Vorcaro, cobrando pagamentos relacionados a contratos firmados antes da morte de Sicário.
Os defensores alegam que os repasses mencionados pela investigação possuem origem em contratos ligados a um empreendimento imobiliário em Campo Grande, no Rio de Janeiro, e que os pagamentos realizados foram formalizados e registrados.
A defesa argumenta que as conversas interpretadas pela PF como tentativa de obstrução da Justiça seriam, na verdade, cobranças financeiras dessas relações comerciais.
Além da revogação da prisão, os advogados pedem a oitiva de Henrique Vorcaro e de Joana Mourão, bem como a manifestação da PGR (Procuradoria-Geral da República) sobre os documentos apresentados pela defesa.


