Deputado aciona Conselho de Ética contra Eduardo Bolsonaro por fala sobre China

Marcelo Calero (Cidadania-RJ) decidiu levar o parlamentar ao conselho após o político culpar Pequim pelo surto do novo coronavírus

Deputado federal Marcelo Calero decidiu levar Eduardo Bolsonaro ao Conselho de Ética da Câmara por críticas à China
Deputado federal Marcelo Calero decidiu levar Eduardo Bolsonaro ao Conselho de Ética da Câmara por críticas à China Foto: Adriano Machado/ Reuters

Larissa Rodrigues

Da CNN Brasil, em Brasília

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Com a mais nova crise diplomática gerada pelas declarações do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) sobre a China, o deputado federal Marcelo Calero (Cidadania-RJ) decidiu levar o parlamentar ao Conselho de Ética da Câmara Federal.

Calero afirmou à CNN Brasil nesta quinta-feira (18) que Eduardo teve uma “postura irresponsável que pode prejudicar bastante a relação com a China, maior parceiro comercial do Brasil”.

Na noite de quarta-feira, Eduardo usou sua conta no Twitter para criticar o governo da China em relação à pandemia do novo coronavírus. Na mensagem, o parlamentar comparou a atual crise com o desastre nuclear de Chernobyl, culpando o regime chinês pela disseminação da doença.

“Quem assistiu Chernobyl vai entender o que ocorreu. Substitua a usina nuclear pelo coronavírus e a ditadura soviética pela chinesa. Mais uma vez uma ditadura preferiu esconder algo grave a expor tendo desgaste, mas que salvaria inúmeras vidas”, escreveu o parlamentar. Ele completou: “A culpa é da China e liberdade seria a solução”.

O comentário foi feito no Twitter ao reproduzir postagem de Rodrigo da Silva, editor do canal de Youtube “Spotniks”.

Resposta chinesa

A fala do filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) gerou resposta do embaixador da China no Brasil, Yang Wanming. Também pelo Twitter, Wanming repudiou as declarações de Eduardo Bolsonaro, e afirmou que elas “vão ferir a relação amistosa China-Brasil”.

“A parte chinesa repudia veementemente as suas palavras, e exige que as retire imediatamente e peça uma desculpa ao povo chinês. Vou protestar e manifestar a nossa indignação junto ao Itamaraty e à Câmara dos Deputados”, escreveu o embaixador, incluindo em sua resposta os perfis do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Maia pede desculpas

No início da madrugada desta quinta, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, tuitou um pedido de desculpas “pelas palavras irrefletidas do Deputado Eduardo Bolsonaro” à China e ao embaixador.

O deputado acrescentou que “a atitude não condiz com a importância da parceria estratégica Brasil-China e com os ritos da diplomacia”. “Em nome de meus colegas, reitero os laços de fraternidade entre nossos dois países. Torço para que, em breve, possamos sair da atual crise ainda mais fortes”, acrescentou Maia.

Araújo critica embaixador

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, criticou o embaixador da China no Brasil por ter retuitado em sua conta o comentário de um seguidor que chamava a família Bolsonaro de veneno, antes de dizer que as posições de Eduardo não refletem as do governo brasileiro.

Em uma nota divulgada em sua conta no Twitter, Araújo concentra o texto em críticas aos chineses.

“As críticas do deputado Eduardo Bolsonaro à China, feitas também em postagens ontem à noite, não refletem a posição do governo brasileiro. Cabe lembrar, entretanto, que em nenhum momento ele ofendeu o chefe de Estado chinês. A reação do embaixador foi, assim, desproporcional e feriu a boa prática diplomática”, escreveu Araújo.

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