STF tem 4 a 1 por eleições indiretas no RJ; pedido de vista adia julgamento

Ministro Flávio Dino defende aguardar acórdão do TSE sobre Castro antes de STF avançar na definição do modelo de eleição no Rio

Fernanda Fonseca, da CNN Brasil, Brasília
Compartilhar matéria

O STF (Supremo Tribunal Federal) tem placar de 4 a 1 a favor de eleições indiretas para o governo do Rio de Janeiro. O ministro Flávio Dino pediu vista e suspendeu o julgamento nesta quinta-feira (9).

Mesmo após o pedido, os ministros André Mendonça, Kássio Nunes Marques e Cármen Lúcia anteciparam seus votos e acompanharam a divergência aberta por Luiz Fux, favorável à realização de eleição indireta pela Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro).

Ao justificar seu voto, Mendonça afirmou que não há previsão legal para prolongar a situação de dupla vacância até as eleições ordinárias de outubro. Segundo ele, a Constituição do Estado do Rio de Janeiro, em simetria com a Constituição Federal, já estabelece a linha sucessória que deve ser seguida.

O ministro também considerou que a renúncia do ex-governador Cláudio Castro (PL) foi legítima, e não para burlar uma possível cassação do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

"A menção à cassação do diploma do ex-governador Cláudio Castro foi considerada prejudicada pela renúncia, entendimento unânime na Corte", disse.

Na mesma linha, Nunes Marques afirmou que a eleição conduzida pelos deputados estaduais é a solução mais racional diante da “difícil situação político-administrativa” do estado. O ministro também defendeu que a renúncia do ex-governador configura ato jurídico válido e suficiente para caracterizar a vacância do cargo, independentemente de eventual motivação.

Já Cármen Lúcia avaliou que não há elementos que indiquem fraude na renúncia de Castro. Para a ministra, como não houve a perda do mandato determinada pelo TSE, não se justifica a realização de eleições diretas no estado.

No primeiro dia de julgamento, na quarta-feira (8), o relator, Cristiano Zanin, votou pela realização de eleições diretas, com participação dos eleitores. Já Fux abriu divergência e defendeu a escolha indireta, a ser feita pela Alerj.

O caso envolve a definição do formato da eleição para o chamado “mandato-tampão”, após a vacância nos cargos de governador e vice no RJ. Isso porque o vice-governador, Thiago Pampolha, já havia deixado o cargo em 2025 para assumir vaga no Tribunal de Contas do estado.

Acórdão do TSE

Ao pedir mais tempo para analisar o caso, Flávio Dino afirmou ser mais adequado aguardar a publicação do acórdão do julgamento de Cláudio Castro pelo TSE antes do STF avançar na definição do modelo de eleição no Rio.

Segundo o ministro, o documento — ainda pendente — deve “elucidar pontos” centrais que estão em debate na Corte. Para ele, o julgamento se encontra em uma “encruzilhada”.

"Nós ainda não temos a certidão completa, não temos os votos, não temos o acórdão, a ementa. Por isso, resolvi, neste caso, de forma muito excepcional, pedir vista de ambos os processos, para aguardar a publicação do acórdão", disse.

Na sessão, a ministra Cármen Lúcia indicou que a publicação do acórdão deve ocorrer em breve e com prioridade. Segundo ela, o documento será encaminhado “com a maior urgência possível”, após Dino condicionar a continuidade do julgamento à divulgação dessa decisão.