Dino: "Plano não era Bíblia Verde e Amarela, era Punhal Verde e Amarelo"
Ministro fez referência ao planejamento que tinha como objetivo assassinar o presidente Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o também magistrado Alexandre de Moraes

Durante seu voto para condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros sete réus no processo sobre uma tentativa de golpe de Estado, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Flávio Dino comentou sobre o plano para assassinar autoridades, afirmando que não se tratava do plano "Bíblia Verde e Amarela", e sim do plano "Punhal Verde e Amarelo".
De acordo com a PGR (Procuradoria-Geral da República), a ação tinha como objetivo matar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o também ministro do Supremo Alexandre de Moraes.
"É confrontação física, é imposição de força. Houve citações e ameaças contra os ministros do Supremo, desde que o nome do plano era Punhal. O nome do plano não era Bíblia Verde e Amarela, era Punhal Verde e Amarela. Os acampamentos não foram em portas de igreja", disse Dino.
Quem são os réus do núcleo 1?
Além do ex-presidente Jair Bolsonaro, o núcleo crucial do plano de golpe:
- Alexandre Ramagem, deputado federal e ex-presidente da Abin (Agência Brasileira de Inteligência);
- Almir Garnier, almirante de esquadra que comandou a Marinha no governo de Bolsonaro;
- Anderson Torres, ex-ministro da Justiça de Bolsonaro;
- Augusto Heleno, ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) de Bolsonaro;
- Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro;
- Paulo Sérgio Nogueira, general e ex-ministro da Defesa de Bolsonaro; e
- Walter Souza Braga Netto, ex-ministro da Defesa e da Casa Civil no governo de Bolsonaro, candidato a vice-presidente em 2022.
Por quais crimes os réus estão sendo acusados?
Bolsonaro e outros réus respondem na Suprema Corte a cinco crimes. São eles:
- Organização criminosa armada;
- Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
- Golpe de Estado;
- Dano qualificado pela violência e ameaça grave;
- Deterioração de patrimônio tombado.
A exceção fica por conta de Ramagem. No início de maio, a Câmara dos Deputados aprovou um pedido de suspensão da ação penal contra o parlamentar. Com isso, ele responde somente aos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.