Direita brasileira comemora captura de Maduro; esquerda critica
Parlamentares da oposição elogiaram ação dos Estados Unidos; integrantes da base governista avaliam ataques como "graves"

Políticos brasileiros de direita comemoraram neste sábado (3) os ataques dos Estados Unidos à Venezuela e a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro. Já nomes alinhados à esquerda foram às redes para criticar a ação norte-americana.
O ataque "de grande escala" foi anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por meio das redes sociais. Segundo ele, Maduro foi capturado e levado para fora do país.
O anúncio de Trump repercutiu entre políticos brasileiros que divergiram entre o endosso e críticas aos ataques americanos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), via redes sociais, afirmou que a ação americana ultrapassou uma "linha inaceitável". O governo debateu o tema neste sábado em reunião de emergência, em Brasília.
Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional.
Atacar países, em…
— Lula (@LulaOficial) January 3, 2026
Ministros do governo Lula
O ministro da Secretaria-Geral, Guilherme Boulos, avaliou que o ataque americano é uma "ação imperialista" e fez um apelo pela "unidade latino-americana em apoio total ao povo da Venezuela e em rechaço ao governo criminoso de Donald Trump".
O ataque dos EUA à Venezuela é a ação imperialista mais grave que já vivenciamos. Alguém acha que Trump está preocupado com democracia? Ele quer petróleo. E mais: usa a Venezuela como precedente para uma nova Doutrina Monroe que ameaça toda a América Latina. Nem na Guerra Fria…
— Guilherme Boulos (@GuilhermeBoulos) January 3, 2026
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, avaliou que os ataques à Venezuela trazem "impacto múltiplo" ao Brasil. "Nada justifica conflitos terminarem em bombardeio. Guerra mata civis, destrói serviços de saúde, impede o cuidado às pessoas. Quando acontecem em um país vizinho, o impacto é múltiplo para o nosso povo e sistema de saúde", disse.
Desde o início das operações militares no entorno do país vizinho, preparamos a nossa Agência do SUS, a Força Nacional do SUS e nossas equipes de Saúde Indígena para reduzirmos, ao máximo, os impactos do conflito na saúde e no SUS brasileiro. Que venha a PAZ! Enquanto isso,…
— Alexandre Padilha (@padilhando) January 3, 2026
A ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, também se manifestou sobre os ataques dos Estados Unidos à Venezuela.
Em publicação no X, Guajajara afirmou que o “desrespeito à soberania nacional e ao direito internacional por parte de grandes potências” não pode ser naturalizado, em referência aos Estados Unidos.
A Venezuela abriga a maior reserva de petróleo do planeta. O Brasil concentra uma das maiores reservas de terras raras do mundo, recursos estratégicos para a transição energética e tecnológica global, o que torna a defesa da soberania regional uma preocupação legítima.
— Sonia Guajajara (@GuajajaraSonia) January 3, 2026
O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, disse que o ataque cria um "precedente perigoso para toda a comunidade internacional" e manifestou soliariedade à população da Venezuela.
Os ataques promovidos pelos Estados Unidos em território venezuelano são gravíssimos. O respeito à soberania é um princípio inegociável do direito internacional.
A violação de territórios e instituições ameaça a paz, enfraquece o multilateralismo e cria um precedente perigoso…
— Wellington Dias (@wdiaspi) January 3, 2026
Governadores
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou em publicação nas redes sociais que a captura de Maduro representa uma esperança de liberdade para a Venezuela.
"A ação de hoje não devolve o tempo perdido, não apaga as histórias interrompidas, os anos de sofrimento, mas abre uma janela de esperança", disse ele em vídeo.
Uma ditadura não cai da noite para o dia. Ela corrói as instituições por dentro, pouco a pouco, e quem paga o preço mais alto é sempre a população.
Que a prisão do ditador Maduro seja o primeiro passo no caminho da liberdade para a Venezuela. pic.twitter.com/lhCDSRFTzd
— Tarcísio Gomes de Freitas (@tarcisiogdf) January 3, 2026
O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL) comemorou a captura de Nicolás Maduro. De acordo com ele, "o povo da Venezuela tem motivos para comemorar a ação do presidente Trump".
O povo da Venezuela tem motivos para comemorar a ação do presidente Trump. Maduro é um ditador que viola direitos humanos, persegue e silencia opositores. Não respeita os valores democráticos, tão caros a todos nós!
— Cláudio Castro (@claudiocastroRJ) January 3, 2026
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União), afirmou que o povo venezuelano é "oprimido há mais de 20 anos pela narcoditadura chavista" e defendeu a instalação da democracia no país vizinho.
Que este 3 de janeiro entre para a história como o dia da libertação do povo venezuelano, oprimido há mais de 20 anos pela narcoditadura chavista. Que a democracia, a liberdade e a prosperidade se instalem no país.
— Ronaldo Caiado (@ronaldocaiado) January 3, 2026
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), manifestou "profunda preocupação com a escalada de tensão" na região. Ele condenou o "regime ditatorial de Maduro", mas afirmou que "os princípios diplomáticos devem prevalecer, com diálogo e respeito à soberania das nações para resolver conflitos".
Diante dos graves acontecimentos na Venezuela, com a invasão pelos Estados Unidos e a captura do presidente Maduro, manifesto minha profunda preocupação com a escalada de tensão em nossa região.
O regime ditatorial de Maduro é inadmissível. Viola direitos humanos, sufoca…— Eduardo Leite (@EduardoLeite_) January 3, 2026
Senadores
No Senado, o presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), defendeu, em caso de necessidade, interromper o recesso parlamentar para debater o ataque dos Estados Unidos à Venezuela.
Para ele, o ocorrido terá "consequências de curto, médio e longo prazos". Em nota, Trad criticou o regime venezuelano, mas destacou que a "defesa da democracia e o enfrentamento ao narcotráfico não autorizam a banalização do uso da força contra a soberania de um país".
O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), criticou a regime autoritário de Maduro e o que chamou de "tragédia humanitária" no país vizinho. "Mesmo diante desse cenário devastador, o povo venezuelano resiste. Resiste com fé, dignidade e coragem. Nenhuma ditadura é eterna. A liberdade sempre encontra seu caminho", disse.
A Venezuela tornou-se um dos exemplos mais extremos de como um regime autoritário pode destruir uma nação. Sob os governos de Hugo Chávez e, posteriormente, do narcoterrorista Nicolás Maduro, o país enfrentou a concentração de poder, o enfraquecimento das instituições…
— Flavio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) January 3, 2026
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), reforçou o posicionamento de Lula e afirmou que a comunidade internacional "precisa responder de forma firme e responsável".
INACEITÁVEL 🚨 Os ataques à Venezuela representam uma grave violação à soberania do país e ao direito internacional. Conflitos entre Estados soberanos devem ser resolvidos pela via do diálogo, da diplomacia e da negociação, jamais pelo uso da força, da violência ou da guerra.…
— Jaques Wagner (@jaqueswagner) January 3, 2026
Segundo o senador Rogério Carvalho (PT-SE), os ataques dos EUA miram "interesses econômicos, sobretudo no petróleo" e violam o direito internacional.
Os ataques dos EUA à Venezuela afrontam o direito internacional e a soberania de um povo. Não é por democracia, é intervenção por interesses econômicos, sobretudo no petróleo. Repudiamos essa ação imperialista que é, na verdade, uma ameaça à propria América Latina.
— Rogério Carvalho 🇧🇷 ⭐️ (@SenadorRogerio) January 3, 2026
Para o senador e ex-ministro da Justiça Sergio Moro (União-PR), o ataque americano representa "o fim de Maduro" e é "melhor para Venezuela e para o mundo".
O fim de Maduro, o tirano de Caracas. Melhor para Venezuela e para o mundo.
— Sergio Moro (@SF_Moro) January 3, 2026
Deputados
Segundo o líder da oposição na Câmara, deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), a data é um "dia decisivo" e marca a quebra do que chamou de ciclo do "regime de terror da esquerda" na Venezuela.
"O ditador cai. O narcotraficante sanguinário Nicolás Maduro cai do poder que vinha esmagando o povo venezuelano", disse.
Hoje é um marco para quem acredita em liberdade. Dia decisivo contra a ditadura do Nicolas Maduro que há décadas oprime o povo venezuelano.
A Venezuela sofre sob um regime de terror da esquerda, apoiado por Lula e pelo PT, mas esse ciclo começa a ser quebrado. A América Latina…
— Gilberto Silva (@cabogilberto) January 3, 2026
Em apoio a Donald Trump, o presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, deputado Filipe Barros (PL-PR), anunciou que enviará um "ofício de congratulações ao governo dos EUA pela ação bem-sucedida contra o regime de Maduro".
O narcoregime de terror que Maduro vem plantando há anos colhe hoje a reação necessária (e louvável) de @realDonaldTrump. Tenho certeza que este 3 de janeiro é um novo dia da independência para o povo da Venezuela. Sigamos vigilantes para que Lula não acolha um ditador em…
— Filipe Barros 🇧🇷 (@filipebarrost) January 3, 2026
Líder do governo e vice-presidente do PT, o deputado José Guimarães (CE), afirmou que "defender a soberania da Venezuela é defender o direito internacional, a paz regional e a estabilidade da América Latina".
Manifestamos nossa mais veemente condenação ao ataque promovido pelos Estados Unidos contra a soberania nacional da Venezuela. Trata-se de uma grave violação do direito internacional, que afronta os princípios da autodeterminação dos povos, da não intervenção e do respeito à…
— José Guimarães (@guimaraes13PT) January 3, 2026
O deputado Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara, afirmou que a prisão de Maduro é um "fato político" e um "marco histórico". Segundo ele, "a história é implacável com tiranos" e "mais cedo ou mais tarde, o poder sem legitimidade cobra seu preço".
A prisão de Nicolás Maduro não é apenas um fato político.
É um marco histórico.Ditaduras podem parecer fortes.
Podem resistir por anos.
Podem silenciar vozes, prender opositores e manipular instituições.
Mas não são eternas.A história é implacável com tiranos.
Mais cedo ou…— Sóstenes Cavalcante (@DepSostenes) January 3, 2026
Líder da bancada do PT na Câmara, o deputado Lindbergh Farias (RJ) repudiou com "veemência" a ação dos EUA. Ele defendeu o diálogo e uma solução negociada pelos organismos internacionais.
"A Bancada do PT conclama as forças democráticas para defender a soberania dos povos latino-americanos, bem como encontrar soluções negociadas e pacíficas, sem o uso da força militar e com respeito ao povo venezuelano e às instituições democráticas daquela nação", disse.
A Bancada do PT na Câmara dos Deputados repudia com veemência os ataques dos Estados Unidos à Venezuela na madrugada deste sábado (3), sob ordens de Donald Trump.
O respeito à independência, à autodeterminação dos povos e à não-intervenção são preceitos básicos de soberania de…
— Lindbergh Farias (@lindberghfarias) January 3, 2026
Líder do PSOL na Câmara, a deputada Talíria Petrone (RJ) afirmou que o ataque é "inaceitável à soberania do povo venezuelano e de toda a América Latina".
Gravíssimos os ataques dos Estados Unidos contra a Venezuela. Bombardearam o país e capturaram Nicolás Maduro. Trata-se de um ataque inaceitável à soberania do povo venezuelano e de toda a América Latina.
Trump já deixou claro: quer as reservas de petróleo da Venezuela, não tem… pic.twitter.com/rMmHHfC3YC
— Talíria Petrone (@taliriapetrone) January 3, 2026
Em nota, o deputado Zucco (PL-RS), ex-líder do oposição na Câmara, avaliou que o momento é "verdadeiramente histórico" para a América Latina e que agora a Venezuela "tem a chance de renascer" e avançar.
"A captura de Maduro representa o fim de um ciclo de opressão e o início de uma nova etapa. Uma oportunidade histórica para que a Venezuela possa reconstruir suas instituições, restabelecer o Estado de Direito, garantir eleições livres e devolver dignidade ao seu povo", afirmou.
O deputado e ex-ministro Paulo Pimenta (PT-RS) prestou solidariedade à população venezuelana e afirmou que ação americana tem o objetivo de "assumir o controle do petróleo e das riquezas minerais do país vizinho".
URGENTE! A Venezuela sofre uma agressão militar dos EUA, com ataques que atingem a população civil da capital Caracas sob o comando de Donald Trump. O imperialismo exporta guerra e destruição, da Palestina à América Latina. Ataque merece repúdio e condenação rápida. É um ataque a… pic.twitter.com/Pkw17MWK94
— Paulo Pimenta (@Pimenta13Br) January 3, 2026
Na visão do deputado Ivan Valente (PSOL-SP), na gestão de Trump, os Estados Unidos "revivem sua sanha imperialista" e defendeu que a comunidade internacional condene a ação na Venezuela.
URGENTE! Trump atacou a Venezuela e diz que CAPTUROU Maduro e a esposa, retirando-os do país! Sob Trump, os EUA revivem sua SANHA IMPERIALISTA, invadindo e interferindo diretamente na SOBERANIA dos povos, como fez no Vietnã, no Panamá e em Granada. A comunidade internacional… pic.twitter.com/2GGqX78kMN
— Ivan Valente (@IvanValente) January 3, 2026
Vice-líder da federação governista formada por PT, PV e PC do B na Câmara, a deputada Maria do Rosário (PT-RS) destacou que "a escalada de guerra do governo Trump" chega à América Latina "em busca do controle político regional e do petróleo".
URGENTE. A agressão militar dos EUA contra a Venezuela é gravíssima e inaceitável.
Viola o direito internacional e a soberania de um país sul-americano, com ataques que atingem a população civil de Caracas, que foi bombardeada! EUA falam de captura de Nicolás Maduro e não… pic.twitter.com/RL7jRAF7eC— Maria do Rosário (@mariadorosario) January 3, 2026
Em vídeo publicado, o deputado Mauricio Marcon (PL-RS) declarou que "acabou o regime ditatorial na Venezuela" e comemorou a queda do "regime esquerdista" no país.
Grande dia! pic.twitter.com/Xb0HPwjPnA
— Mauricio Marcon (@Maubmarcon) January 3, 2026
A deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS) destacou que os ataques dos EUA são uma "grave violação do direito internacional e ameaça direta à vida de civis".
🚨URGENTE! Neste momento, os EUA promovem uma agressão militar criminosa contra a Venezuela, com ataques aéreos que atingem a população civil de Caracas, sob a condução de Donald Trump. Um ataque imperialista à América Latina, em grave violação do direito internacional e ameaça… pic.twitter.com/ZPMw9IaQch
— Fernanda Melchionna (@fernandapsol) January 3, 2026
Em nota e vídeo publicado, Carlos Zarattini (SP), deputado federal e integrante do diretório nacional do PT, defendeu que o Brasil atue para que os Estados Unidos recuem do que chamou de "sequestro" de Maduro.
🚨Absurdo: Trump ataca a Venezuela! pic.twitter.com/LUg0iJEaz7
— Zarattini (@CarlosZarattini) January 3, 2026
Políticos
O agora ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) declarou em suas redes sociais que, com a captura de Maduro, integrantes do Foro de São Paulo terão "dias terríveis". Em outra publicação, Eduardo afirmou que "soberania sem liberdade" é um passe livre para "atrocidades".
Soberania sem liberdade não é soberania, é passe livre para tirano fazer as maiores atrocidades imagináveis.
— Eduardo Bolsonaro🇧🇷 (@BolsonaroSP) January 3, 2026
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro afirmou que o ataques dos Estados Unidos à Venezuela representam o "início do fim" do regime autoritário do país vizinho. Presidente do PL Mulher, ela declarou que ação americana foi um recado para "ditadores disfarçados de democratas de defensores de traficantes".
NOTA PÚBLICA
O PL Mulher manifesta sua solidariedade ao povo de bem venezuelano que, graças aos esforços americanos e à despeito da cumplicidade de alguns governantes de países vizinhos, está assistindo o início da sua libertação com a prisão do ditador narcotraficante Nicolás… pic.twitter.com/tcEkGvVWmn
— Michelle Bolsonaro (@Mi_Bolsonaro) January 3, 2026
Em nota oficial, o Partido dos Trabalhadores condenou a "agressão militar" dos Estados Unidos e o "sequestro" de Maduro. A sigla defendeu a América Latina permaneça uma zona de paz. O conflito, segundo o PT, representa "uma séria preocupação para o Brasil" por compartilhar cerca de dois mil quilômetros de fronteira com a Venezuela.
Em resposta aos ataques, o governo venezuelano declarou emergência nacional e mobilizou planos de defesa, enquanto o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, prometeu resistir à presença de tropas estrangeiras.
Nos últimos meses, a tensão entre os Estados Unidos e a Venezuela cresceu após o Pentágono deslocar um grande contingente militar e atacar embarcações no Caribe, com a justificativa de combate ao narcotráfico.


