Direita brasileira comemora captura de Maduro; esquerda critica

Parlamentares da oposição elogiaram ação dos Estados Unidos; integrantes da base governista avaliam ataques como "graves"

CNN Brasil
O presidente Nicolás Maduro observa durante uma coletiva de imprensa após depor perante a câmara eleitoral na sede principal do Supremo Tribunal de Justiça (TSJ), em 2 de agosto de 2024, no Palácio Presidencial de Miraflores, em Caracas, Venezuela  • Jesus Vargas/Getty Images
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Políticos brasileiros de direita comemoraram neste sábado (3) os ataques dos Estados Unidos à Venezuela e a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro. Já nomes alinhados à esquerda foram às redes para criticar a ação norte-americana.

O ataque "de grande escala" foi anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por meio das redes sociais. Segundo ele, Maduro foi capturado e levado para fora do país.

O anúncio de Trump repercutiu entre políticos brasileiros que divergiram entre o endosso e críticas aos ataques americanos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), via redes sociais, afirmou que a ação americana ultrapassou uma "linha inaceitável". O governo debateu o tema neste sábado em reunião de emergência, em Brasília.

Ministros do governo Lula

O ministro da Secretaria-Geral, Guilherme Boulos, avaliou que o ataque americano é uma "ação imperialista" e fez um apelo pela "unidade latino-americana em apoio total ao povo da Venezuela e em rechaço ao governo criminoso de Donald Trump".

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, avaliou que os ataques à Venezuela trazem "impacto múltiplo" ao Brasil. "Nada justifica conflitos terminarem em bombardeio. Guerra mata civis, destrói serviços de saúde, impede o cuidado às pessoas. Quando acontecem em um país vizinho, o impacto é múltiplo para o nosso povo e sistema de saúde", disse.

A ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, também se manifestou sobre os ataques dos Estados Unidos à Venezuela.

Em publicação no X, Guajajara afirmou que o “desrespeito à soberania nacional e ao direito internacional por parte de grandes potências” não pode ser naturalizado, em referência aos Estados Unidos.

O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, disse que o ataque cria um "precedente perigoso para toda a comunidade internacional" e manifestou soliariedade à população da Venezuela.

Governadores

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou em publicação nas redes sociais que a captura de Maduro representa uma esperança de liberdade para a Venezuela.

"A ação de hoje não devolve o tempo perdido, não apaga as histórias interrompidas, os anos de sofrimento, mas abre uma janela de esperança", disse ele em vídeo.

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL) comemorou a captura de Nicolás Maduro. De acordo com ele, "o povo da Venezuela tem motivos para comemorar a ação do presidente Trump".

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União), afirmou que o povo venezuelano é "oprimido há mais de 20 anos pela narcoditadura chavista" e defendeu a instalação da democracia no país vizinho.

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), manifestou "profunda preocupação com a escalada de tensão" na região. Ele condenou o "regime ditatorial de Maduro", mas afirmou que "os princípios diplomáticos devem prevalecer, com diálogo e respeito à soberania das nações para resolver conflitos".

Senadores

No Senado, o presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), defendeu, em caso de necessidade, interromper o recesso parlamentar para debater o ataque dos Estados Unidos à Venezuela.

Para ele, o ocorrido terá "consequências de curto, médio e longo prazos". Em nota, Trad criticou o regime venezuelano, mas destacou que a "defesa da democracia e o enfrentamento ao narcotráfico não autorizam a banalização do uso da força contra a soberania de um país".

O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), criticou a regime autoritário de Maduro e o que chamou de "tragédia humanitária" no país vizinho. "Mesmo diante desse cenário devastador, o povo venezuelano resiste. Resiste com fé, dignidade e coragem. Nenhuma ditadura é eterna. A liberdade sempre encontra seu caminho", disse.

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), reforçou o posicionamento de Lula e afirmou que a comunidade internacional "precisa responder de forma firme e responsável".

Segundo o senador Rogério Carvalho (PT-SE), os ataques dos EUA miram "interesses econômicos, sobretudo no petróleo" e violam o direito internacional.

Para o senador e ex-ministro da Justiça Sergio Moro (União-PR), o ataque americano representa "o fim de Maduro" e é "melhor para Venezuela e para o mundo".

Deputados

Segundo o líder da oposição na Câmara, deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), a data é um "dia decisivo" e marca a quebra do que chamou de ciclo do "regime de terror da esquerda" na Venezuela.
"O ditador cai. O narcotraficante sanguinário Nicolás Maduro cai do poder que vinha esmagando o povo venezuelano", disse.

Em apoio a Donald Trump, o presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, deputado Filipe Barros (PL-PR), anunciou que enviará um "ofício de congratulações ao governo dos EUA pela ação bem-sucedida contra o regime de Maduro".

Líder do governo e vice-presidente do PT, o deputado José Guimarães (CE), afirmou que "defender a soberania da Venezuela é defender o direito internacional, a paz regional e a estabilidade da América Latina".

O deputado Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara, afirmou que a prisão de Maduro é um "fato político" e um "marco histórico". Segundo ele, "a história é implacável com tiranos" e "mais cedo ou mais tarde, o poder sem legitimidade cobra seu preço".

Líder da bancada do PT na Câmara, o deputado Lindbergh Farias (RJ) repudiou com "veemência" a ação dos EUA. Ele defendeu o diálogo e uma solução negociada pelos organismos internacionais.

"A Bancada do PT conclama as forças democráticas para defender a soberania dos povos latino-americanos, bem como encontrar soluções negociadas e pacíficas, sem o uso da força militar e com respeito ao povo venezuelano e às instituições democráticas daquela nação", disse.

Líder do PSOL na Câmara, a deputada Talíria Petrone (RJ) afirmou que o ataque é "inaceitável à soberania do povo venezuelano e de toda a América Latina".

Em nota, o deputado Zucco (PL-RS), ex-líder do oposição na Câmara, avaliou que o momento é "verdadeiramente histórico" para a América Latina e que agora a Venezuela "tem a chance de renascer" e avançar.

"A captura de Maduro representa o fim de um ciclo de opressão e o início de uma nova etapa. Uma oportunidade histórica para que a Venezuela possa reconstruir suas instituições, restabelecer o Estado de Direito, garantir eleições livres e devolver dignidade ao seu povo", afirmou.

O deputado e ex-ministro Paulo Pimenta (PT-RS) prestou solidariedade à população venezuelana e afirmou que ação americana tem o objetivo de "assumir o controle do petróleo e das riquezas minerais do país vizinho".

Na visão do deputado Ivan Valente (PSOL-SP), na gestão de Trump, os Estados Unidos "revivem sua sanha imperialista" e defendeu que a comunidade internacional condene a ação na Venezuela.

Vice-líder da federação governista formada por PT, PV e PC do B na Câmara, a deputada Maria do Rosário (PT-RS) destacou que "a escalada de guerra do governo Trump" chega à América Latina "em busca do controle político regional e do petróleo".

Em vídeo publicado, o deputado Mauricio Marcon (PL-RS) declarou que "acabou o regime ditatorial na Venezuela" e comemorou a queda do "regime esquerdista" no país.

A deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS) destacou que os ataques dos EUA são uma "grave violação do direito internacional e ameaça direta à vida de civis".

Em nota e vídeo publicado, Carlos Zarattini (SP), deputado federal e integrante do diretório nacional do PT, defendeu que o Brasil atue para que os Estados Unidos recuem do que chamou de "sequestro" de Maduro.

Políticos

O agora ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) declarou em suas redes sociais que, com a captura de Maduro, integrantes do Foro de São Paulo terão "dias terríveis". Em outra publicação, Eduardo afirmou que "soberania sem liberdade" é um passe livre para "atrocidades".

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro afirmou que o ataques dos Estados Unidos à Venezuela representam o "início do fim" do regime autoritário do país vizinho. Presidente do PL Mulher, ela declarou que ação americana foi um recado para "ditadores disfarçados de democratas de defensores de traficantes".

Em nota oficial, o Partido dos Trabalhadores condenou a "agressão militar" dos Estados Unidos e o "sequestro" de Maduro. A sigla defendeu a América Latina permaneça uma zona de paz. O conflito, segundo o PT, representa "uma séria preocupação para o Brasil" por compartilhar cerca de dois mil quilômetros de fronteira com a Venezuela.

Em resposta aos ataques, o governo venezuelano declarou emergência nacional e mobilizou planos de defesa, enquanto o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, prometeu resistir à presença de tropas estrangeiras.

Nos últimos meses, a tensão entre os Estados Unidos e a Venezuela cresceu após o Pentágono deslocar um grande contingente militar e atacar embarcações no Caribe, com a justificativa de combate ao narcotráfico.