Diretor da PF defende investimento em parcerias para combater crime

“Ninguém consegue fazer nada sozinho”, diz Andrei Rodrigues em evento que discutiu enfrentamento de organizações criminosas

Leonardo Ribbeiro, Marina Demori e Leticia Martins, da CNN, Brasília e São Paulo
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O diretor-geral da PF (Polícia Federal), Andrei Rodrigues, disse nesta quarta-feira (25) que “ninguém consegue fazer nada sozinho” numa referência à necessidade de aprovação da PEC (proposta de emenda à Constituição) da Segurança Pública.

“A Polícia Federal tem suas virtudes, mas tem também suas carências, e precisamos de parceiros porque o crime organizado deixou de ser local e hoje é internacional”, afirmou durante seminário da Esfera Brasil promovido para discutir o crime organizado no país.

Segundo o diretor, a proposta em tramitação no Congresso Nacional vai possibilitar que a integração da União com estados e municípios ocorra não apenas no campo operacional, mas na formulação de políticas públicas e no financiamento de ações.

Andrei citou como exemplo, as parcerias que já ocorrem com órgãos como Receita Federal e CGU (Controladoria-Geral da União). Ele também ressaltou a união de esforços com outras forças de segurança e com o Judiciário nas eleições do ano passado.

“Nós precisamos desses parceiros e fizemos, para eleição do ano passado, um projeto muito consistente, que vai ser usado nas eleições do ano que vem, de trabalho com essa perspectiva, de evitar o poder econômico, a influência, a corrupção do crime organizado na política mediante ações preventivas com o TSE e Tribunais Regionais”, completou.

Combate ao crime organizado

O estudo “Lavagem de dinheiro e enfrentamento ao crime organizado no Brasil: reflexões sobre o Coaf em perspectiva comparada”, produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e o Instituto Esfera, e divulgado nesta quarta, considera a rápida expansão das atividades das organizações criminosas para uma ampla gama de mercados e setores legais.

Segundo o levantamento, esse avanço reforça a necessidade de incluir, com urgência, na agenda pública o fortalecimento da articulação entre os órgãos de inteligência financeira e de segurança pública.

O relatório aponta, ainda, como as facções criminosas, em especial o PCC, têm ampliado e sofisticado seus métodos de lavagem de dinheiro, aproveitando-se da digitalização financeira e de brechas regulatórias.

“Três caminhos têm se destacado nesse processo: as fintechs, as plataformas de apostas online (BETs) e os criptoativos”, enumera o estudo.