Discurso de Bolsonaro foi ‘agressivo’ e não ajuda imagem do Brasil, diz Ricupero

'Se você perde a mensagem, qualquer produto seu é tóxico', avalia o diplomata e ex-ministro em entrevista à CNN

Guilherme Venaglia, da CNN, em São Paulo

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Para o diplomata e ex-ministro Rubens Ricupero, o discurso do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira (22) foi “ruim na forma e é ruim no conteúdo”.

“Esse tipo de discurso, com três pedras na mão, confirma o que há de pior, porque é agressivo”, opina Ricupero, em entrevista ao âncora da CNN William Waack.

Para Ricupero, a fala do presidente vai ter efeito contrário ao esperado e tende a “dar um passo além em arruinar a marca Brasil”. 

O diplomata, que foi ministro do Meio Ambiente e da Fazenda no governo Itamar Franco, manifestou preocupação com o desmatamento e com prejuízos aos produtos brasileiros no exterior.

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“Se você perde a mensagem, qualquer produto seu é tóxico”, afirmou Rubens Ricupero. “Estamos tendo um prejuízo de marca. Se estivéssemos ganhando trilhões, tudo bem, mas isso não é verdade”, completa o ex-ministro.

A respeito dos argumentos do presidente de que há “uma campanha de desinformação” contra o Brasil, Ricupero diz enxergar que há sim uma intenção protecionista de parte das críticas ao país, mas avalia que esse peso seja de no máximo 20%.

A respeito dos discursos da Assembleia Geral, Rubens Ricupero afirma se preocupar com uma “tendência de enfraquecimento coletivo do multilateralismo”, em referência à tese de priorizar resolução coletiva de conflitos.

“Dos quatro grandes centros de poder no mundo, três, os Estados Unidos, a China e a Rússia, estão sendo governados por autocratas – e o Trump tem muito de autocrata – voltados apenas para o interesse nacional”, lamentou.

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