Donos da Fast Shop fecham acordo de R$ 100 milhões com MP-SP

Também é prevista a criação de um programa de compliance na companhia

Gabriela Milanezi, da CNN, São Paulo
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Os donos da Fast Shop e um diretor da empresa fecharam um acordo de não persecução penal com o MP-SP (Ministério Público de São Paulo).

Esse tipo de acordo é uma alternativa à ação penal: quando o investigado confessa o crime, aceita condições impostas pelo Ministério Público e, em contrapartida, evita ser processado e condenado à prisão.

Homologado nesta segunda-feira (15), o acerto prevê o pagamento de R$ 100 milhões e a criação de um programa de compliance na companhia.

Segundo o Gedec (Grupo Especial de Delitos Econômicos), os executivos confessaram participação em crimes e aceitaram cumprir penas alternativas, em substituição à prisão — no caso, o pagamento de valores milionários.

Pela divisão definida, os pagamentos serão feitos da seguinte forma:

  • o sócio Milton Kazuyuki Kakumoto pagará R$ 55 milhões;
  • o sócio Júlio Atsushi Kakumoto ficará responsável por R$ 30 milhões;
  • o diretor estatutário Mário Otávio Gomes pagará R$ 15 milhões.

O chamado acordo de não persecução penal (ANPP) não equivale à colaboração premiada, pois não há delação de terceiros, apenas a admissão de culpa para evitar o processo criminal.

Fraude bilionária

As investigações indicam que os executivos participaram de um esquema de compensações indevidas de ICMS, que teria gerado vantagens fiscais de cerca de R$ 1,5 bilhão.

O Ministério Público ressaltou que o acordo não tem impacto na esfera tributária. Débitos e eventuais restituições indevidas continuam a ser cobrados pela Secretaria da Fazenda, que conduz auditorias para definir o valor final devido.

De acordo com o MPSP, outros investigados — incluindo fiscais e intermediários suspeitos de lavagem de dinheiro — ainda podem ser denunciados. No caso de outras empresas envolvidas, como a Ultrafarma, não houve até agora negociação de acerto semelhante.