Eduardo Bolsonaro pode ser processado por dano moral, diz AGU à CNN
Para o ministro Jorge Messias, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro é "o grande responsável pela atribuição de sanções ao país contra o nosso povo"
À CNN, o advogado-geral da União, Jorge Messias, declarou que o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pode ser processado por dano moral.
Em entrevista nesta quarta-feira (16), ao ser questionado se o governo federal e a AGU (Advocacia-Geral da União) estudam algum procedimento contra Eduardo, Messias respondeu que "nada pode ser descartado".
"Ele pode, sim, causar danos muito grandes ao país e, em razão desses danos, ele pode responder e deverá responder. Nada pode ser descartado, se tiver de fato configurado a atuação direta como parece estar, dele causando danos potenciais dele ao país, ele poderá ser processado, sim, inclusive com pedido de dano moral coletivo contra ele e contra todas as pessoas que estiverem atentando contra o país", disse.
O ministro ainda responsabilizou o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pela taxação de 50% em cima dos produtos brasileiros, anunciada pelos Estados Unidos na última semana.
"O grande responsável pela atribuição de sanções ao país contra o nosso povo, contra os empregos brasileiros, é a família Bolsonaro. O Eduardo Bolsonaro foi à Casa Branca conspirar contra o seu país pra livrar o pai da cadeia, essa é grande questão. Ele não pensou nos empregos, não pensou nas empresas, não pensou no seu país. Ele tá muito preocupado em resolver o problema da família", disse o ministro.
Para Jorge Messias, o deputado licenciado "trouxe uma guerra comercial contra o seu país".
"É lamentável que um parlamentar, ainda que de licença, vá a outro país conspirar contra os interesses nacionais", prosseguiu.
Após o anúncio da sobretaxa ao Brasil, Eduardo defendeu a decisão de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos e pediu para seguidores agradecerem o republicano pela imposição da taxa.
“Coloque o seu agradecimento ao presidente Donald Trump abaixo e vamos rumo à Lei Magnistky!”, escreveu o parlamentar na noite do anúncio de Trump, via redes sociais.
Inquérito contra Eduardo
Caso a AGU entre com um processo contra o filho de Jair Bolsonaro, esta não seria o primeira vez que Eduardo teria de responder sobre sua atuação nos Estados Unidos.
Em maio, ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou a abertura de um inquérito contra o deputado federal licenciado por supostamente atuar nos Estados Unidos contra o Judiciário brasileiro.
A decisão de Moraes ocorreu após a Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitar a investigação de Eduardo.
Para o procurador-geral, Paulo Gonet, o parlamentar tem utilizado um "tom intimidatório" para tentar atrapalhar o julgamento da ação penal contra Jair Bolsonaro pelo que seria uma tentativa de golpe de Estado.
"A busca por sanções internacionais a membros do Poder Judiciário visa interferir sobre o andamento regular dos procedimentos de ordem criminal, inclusive ação penal em curso contra o sr. Jair Bolsonaro", afirmou Gonet na petição.


