Eduardo Girão: Parece que relator da CPI da Pandemia já tem culpado e inocente

Comissão vai nesta terça-feira (18) o ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo

Produzido por Jorge Fernando Rodrigues, da CNN, em São Paulo

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Em entrevista à CNN nesta terça-feira (18), o senador Eduardo Girão (Podemos-CE), integrante da CPI da Pandemia, disse que o relator da comissão, Renan Calheiros (MDB-AL), “já tem o culpado e o inocente”, além de “todo o processo feito” antes mesmo de terminar a CPI.

“Acho que agora ele está querendo apenas bater [o martelo]. Mas essa antecipação de julgamento não é correta, ela tira a seriedade do trabalho que a gente vem fazendo. Não apenas ele, mas [há] membros da comissão que já fizeram antecipação de julgamento e tem até membro presidenciável”, falou Girão.

Na avaliação do senador, há, também, uma “blindagem” no que diz respeito às ações de estados e municípios no combate à pandemia de Covid-19.

“Essa CPI, devido à expectativa que se criou, precisa seguir um caminho de rastrear os bilhões de reais de verbas federais que foram enviados a estados e municípios. Até agora existe uma clara blindagem da comissão com relação a gestores públicos [estaduais] e municipais”, disse.

“Não podemos esquecer que essa CPI são dois requerimentos apensados para a instalação dela. Um que foca nas ações e omissões do governo federal, e outro que foca nos estados e municípios que, porventura, podem ter desviado muito dinheiro.”

Depoimento de Ernesto Araújo

A CPI da Pandemia vai ouvir hoje o ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo. Para Girão, será um depoimento “muito esclarecedor”.

“Ele já esteve aqui no Senado em outra oportunidade, pouco antes de ser desligado. Já trouxe algumas informações, mas no momento não era sobre CPI. Mas acredito que ele possa de alguma forma esclarecer as atividades do Ministério das Relações Exteriores, do Itamaraty, com relação à busca de vacinas e intercâmbio com outros ministérios, nessa articulação para buscar o mais importante nessa pandemia que é a vacina no braço do povo brasileiro.”

Questionado se as atitudes e provocações de Araújo ironizando a China possam ter prejudicado a relação diplomática entre o Brasil e o gigante asiático a ponto de termos dificuldade de receber insumos para a produção de vacinas contra a Covid-19, o senador afirmou que “algumas declarações não ajudam”.

“Acho que precisamos, com essa oitiva, cruzar alguns dados que nós tivemos da semana passada com os dessa semana. Amanhã, com [Eduardo] Pazuello também vai ser muito importante. Espero que ele possa falar, não fique calado, porque é importante a gente ouvi-lo, como ouvimos outros depoentes. Eu vejo que algumas declarações não ajudam, embora a relação diplomática com a China seja antiga, é um caminho de mão dupla. Nós precisamos da China, e a China precisa do Brasil”, argumentou Girão.

“Eu acredito que a gente precisa cruzar os dados para ver realmente que efeitos podem ter tido certas declarações do ministro enquanto ainda estava no Itamaraty.”

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