Eduardo Paes rebate críticas e reafirma compromisso com religiões africanas

Prefeito do Rio se envolveu em polêmica no réveillon depois da montagem de palco gospel na festa da virada sob acusações de intolerância religiosa

Da CNN Brasil
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O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), usou as redes sociais nesta sexta-feira (2) para rebater acusações de intolerância religiosa e reafirmar o compromisso da gestão municipal com as religiões de matriz africana.

A manifestação ocorre após a repercussão da decisão da prefeitura de incluir um palco exclusivo para música gospel entre as estruturas montadas para o réveillon, o que levou o caso a ser analisado pelo MPF (Ministério Público Federal).

Em publicação no X, Paes afirmou que mantém uma postura histórica de defesa do respeito à fé, do combate à intolerância religiosa e do "diálogo com o chamado povo de axé".

Na última terça-feira (30), Paes negou que a iniciativa representasse privilégio ou intolerância religiosa. Em seguida, o MPF abriu apuração para avaliar se houve favorecimento a uma crença específica na organização do evento, que contou com 13 palcos espalhados pela cidade.

O debate ganhou novos contornos depois que o colunista do jornal "O Globo", Ancelmo Gois, publicou a avaliação do professor e babalawô Ivanir dos Santos. Na análise, ele destacou que a questão central seria a ausência de tratamento equivalente para as diferentes religiões presentes na sociedade carioca.

No domingo anterior (28), Eduardo Paes havia reagido publicamente, afirmando que o réveillon de Copacabana é um evento plural, aberto a diferentes expressões culturais e musicais, e que a música gospel poderia ter seu espaço ao lado de outros gêneros.

"É impressionante o nível de preconceito dessa gente. O réveillon da praia de Copacabana é de todos! A música gospel também pode ter seu lugar. Assim como o samba, o rock, o piseiro, o frevo, a música baiana, a mpb, a bossa nova…. Cada um que fique no ritmo que mais curte! O povo Cristão também tem direito a celebrar! Amém! Axé! Shalom! Namaste", compartilhou Paes.

Na nova manifestação, o prefeito, além de reiterar o compromisso com a liberdade religiosa, afirmou que a programação do réveillon seguiu a proposta de diversidade que, segundo ele, caracteriza a cidade do Rio de Janeiro.

"É impressionante o nível de preconceito dessa gente. O réveillon da praia de Copacabana é de todos! A música gospel também pode ter seu lugar. Assim como o samba, o rock, o piseiro, o frevo, a música baiana, a mpb, a bossa nova…. Cada um que fique no ritmo que mais curte! O povo Cristão também tem direito a celebrar", disse.

Paes completou mencionando a proposta de criação de uma estátua em homenagem a Tata Tancredo.

"Essa nunca foi — e nunca será — minha intenção. O gênero musical gospel teve mais um ano de sucesso nas areias do Leme, dentro de uma programação plural, diversa e democrática, que é a marca do Rio. Por fim, registro que a sugestão para a criação de uma estátua em homenagem a Tata Tancredo será atendida. Vou dialogar com lideranças religiosas para construir, juntos, a melhor forma de fazer essa homenagem tão importante para a cidade", acrescentou no X.

Tancredo da Silva Pinto, conhecido como Tata Tancredo, foi um líder religioso das religiões de matriz africana e é reconhecido por incentivar as práticas que deram origem à tradição da virada do ano à beira-mar no Rio. Com o passar do tempo, o festejo se transformou em um grande evento turístico, enquanto os ritos tradicionais foram deslocados para outras datas e espaços. Tata Tancredo também será homenageado como enredo da escola de samba Estácio de Sá no carnaval de 2026.

Ao encerrar a publicação, Paes destacou valores como "respeito, diálogo e diversidade".