Envio de relatórios de inteligência pela PF ao Planalto sobe 65% em 1 ano

Apenas em 2019, foram 66 documentos enviados ao Planalto pela corporação, um aumento de 65% em relação aos 40 relatórios repassados pela PF à Abin em 2018

André Spigariol, da CNN em Brasília

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Durante o governo de Jair Bolsonaro (Sem partido), a Polícia Federal já repassou ao menos 82 relatórios de inteligência produzidos por seus oficiais para a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), órgão diretamente subordinado ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI), da Presidência da República.

Apenas em 2019, foram 66 documentos enviados ao Planalto pela corporação, um aumento de 65% em relação aos 40 relatórios repassados pela PF à Abin em 2018. Até o momento, em 2020, foram 16. Os números foram obtidos oficialmente pela CNN por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI).

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Entre 2016 e 2018, sob o governo de Michel Temer (MDB), a Polícia Federal enviou à Abin um total de 89 relatórios: uma média de 2,5 documentos enviados a cada mês. Já entre janeiro de 2019 e meados de maio de 2020, a PF submeteu uma média de 4,8 relatórios à Abin por mês, o que representa um aumento de 92%.

De acordo com a PF, os dados “foram extraídos do sistema de tramitação de documentos de inteligência da Polícia Federal e representam o número total de inserções de relatórios de inteligência difundidos à ABIN pelos órgãos de inteligência da Polícia Federal ano a ano”. Esses documentos são repassados à Agência por meio do Sistema Brasileiro de Inteligência (SISBIN).

Os números enviados à CNN pela PF podem, no entanto, ser ainda maiores, “uma vez que possivelmente nem todos os relatórios de inteligência difundidos à ABIN pelos diversos órgãos de inteligência da PF tenham sido inseridos no sistema”, acrescenta a Polícia Federal.

Sergio Moro, em depoimento à PF no início do mês, alegou que um dos indícios de interferência de Jair Bolsonaro na Polícia Federal era a solicitação do presidente da República de relatórios de inteligência da corporação. Segundo Maurício Valeixo, ex-diretor geral da PF, disse em depoimento, “eventualmente o presidente pode solicitar tais relatórios quando se tratar de questões estratégicas, que envolvam a tomada de decisões, como, por exemplo, questões de repercussão nacional”.

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