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    Em CPI do MST, Stédile diz que invasão de área da Embrapa foi “erro”

    Líder nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile prestou depoimento à CPI que apura as ações do movimento nesta terça-feira (15)

    Fernanda Pinottida CNN

    São Paulo

    O líder nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, chamou de “erro, equívoco” a invasão das áreas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em Petrolina, no interior de Pernambuco, no final de julho.

    “Muitas vezes eles exageram ou erram? Concordo. Às vezes, eles exageram e erram, mas eles têm o direito de decidir. Nenhuma instância nacional decidiu que eles deviam ir”, disse o líder nacional do MST.

    Eles decidiram ir porque era a área pública mais próxima e entraram na Embrapa não para reivindicar a área, entraram para chamar a atenção da opinião pública, e conseguiram

    As declarações foram dadas durante depoimento à CPI do MST nesta terça-feira (15).

    “Nem Jesus Cristo sabe”

    Stédile também defendeu que não era possível generalizar os desvios de conduta dentro do movimento como padrão. “Esses casos que vocês [a CPI do MST] encontraram, que eu não quero julgar se é verdade ou não, mas acredito que existam, nós em sã consciência não podemos atribuir a alguns casos como se fosse o geral”, disse.

    Stédile estava respondendo aos questionamentos do relator da CPI, deputado Ricardo Salles (PL-SP), sobre os desvios de conduta apurados e analisados pela CPI, que incluem a apropriação ilegal de terras, o arrendamento de terras pertencentes ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), e o desvio de recursos por parte de lideranças do MST.

    “São 5 mil assentamentos, 500 mil famílias. Nem Jesus Cristo sabe o que acontece em todos os assentamentos”, disse Stédile.

    Ele também ressaltou que “oportunistas que querem explorar o trabalho dos outros existem em toda a sociedade, em todas as classes”, e que o MST busca combater esse tipo de conduta com organização.

    Líder do MST, João Pedro Stédile / Myke Sena / Câmara dos Deputados

    Stédile ainda disse que o MST apoia o governo Lula, pois ajudou a eleger o presidente: “Nós somos corresponsáveis e nos orgulhamos disso”. E defendeu a autonomia de movimentos sociais em relação ao governo e negou que o MST tenha pedido ou indicado cargos no governo.

    Segundo ele, caso algum militante do MST aceite um cargo no governo, deve sair do movimento.

    “Nunca incitei crime nenhum”

    Autor de um dos requerimentos para convocar o líder do MST, o deputado federal Rodolfo Nogueira (PL-MS) questionou Stédile sobre a incitação do crime de invasão de terra.

    “Nunca incitei crime nenhum. Invasão de terra é crime, como fazem os fazendeiros no Mato Grosso do Sul invadindo terra indígena. O que o MST faz é ocupação de terra como uma forma de pressionar a que se aplique a constituição”, disse Stédile.

    Veja também: CPI do MST deve terminar no final de agosto

    Insatisfação com Salles

    Deputados da oposição e da base do governo criticaram a postura do relator Ricardo Salles (PL-SP) durante a sessão.

    Parlamentares governistas, como a deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR) e a deputada Lídice da Mata (PSB-BA), criticaram Salles por tentar “monopolizar” a sessão, fazendo muitas perguntas mesmo após o período destinado para os questionamentos do relator.

    Enquanto parlamentares da oposição criticaram o relator por dar muito espaço para que Stédile falasse, inclusive sobre questões pouco relacionadas à atuação do MST.

    *Com informações de Karine Gonzaga, da CNN, em Brasília