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    Em delação, Marcos Valério cita suposta ligação do PT com o PCC

    Processo foi enviado ao STF e está nas mãos do ministro Nunes Marques

    Marcos Valério, condenado nos processos dos mensalões do PSDB e do PT, durante depoimento à Polícia Federal
    Marcos Valério, condenado nos processos dos mensalões do PSDB e do PT, durante depoimento à Polícia Federal Reprodução/CNN

    Da CNN

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    Reportagem publicada nesta sexta-feira (1º) pela revista “Veja” revela vídeos de parte da delação premiada em que o publicitário mineiro Marcos Valério fala sobre uma suposta relação de petistas com a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). A autenticidade do depoimento à Polícia Federal foi confirmada pela CNN.

    O caso em questão é o mesmo noticiado pelo jornal “O Estado de S.Paulo” em 2018. A delação premiada foi homologada pelo ministro aposentado do STF Celso de Mello.

    O processo foi enviado nesta sexta pela Procuradoria-Geral da República ao STF (Supremo Tribunal Federal) e está sob responsabilidade do ministro Nunes Marques.

    No depoimento, Valério afirmou que o ex-secretário-geral Sílvio Pereira lhe disse que o empresário Ronan Maria Pinto ameaçava revelar que o PT recebia dinheiro de empresas ônibus, de operadores de transporte clandestino e de bingos, que lavavam dinheiro para o PCC. O dinheiro financiaria campanhas do PT ilegalmente.

    “Os bingos estariam lavando dinheiro do crime organizado e financiando campanha de candidatos a vereadores do PT e de deputados do PT em dinheiro vivo. E crime organizado leia-se PCC”, disse o publicitário no depoimento.

    Na ocasião, segundo o relato, Ronan havia chantageado Luiz Inácio Lula da Silva, que ainda não havia sido eleito presidente.

    Valério disse que o petista Celso Daniel, que comandava a prefeitura de Santo André (SP) e foi assassinado em 2002, havia montado um dossiê com os nomes de petistas que estavam recebendo financiamentos ilegais.

    O dossiê não teria sido encontrado depois da morte de Celso Daniel.

    Ainda de acordo com ele, após o assassinato de Daniel, o PT fez uma “limpa” e afastou integrantes que tinham ligações com o crime organizado.

    Valério foi condenado a 37 anos de prisão no processo do mensalão. De acordo com a Justiça, ele atuou como operador de pagamentos a parlamentares que teriam negociado apoio ao governo Lula no Congresso durante o primeiro mandato do ex-presidente.

    Procurada pela CNN, a Polícia Federal disse que não vai se manifestar, segundo a assessoria de imprensa.

    A CNN também procurou a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, e Paulo Okamotto, um dos coordenadores da pré-campanha de Lula, além de Marcos Valério e Sílvio Pereira. A defesa de Valério disse que não vai se manifestar sobre esse vazamento da delação. A CNN aguarda as demais respostas.

    Debate

    CNN realizará o primeiro debate presidencial de 2022. O confronto entre os candidatos será transmitido ao vivo em 6 de agosto, pela TV e por nossas plataformas digitais.

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