À PF, Sara Winter se cala sobre ameaças a ministro e nega atuação em foguetório

Ouvida pela Polícia Federal, ativista disse que ato com tochas foi 'religioso'

Daniel Adjutoda CNN

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Em depoimento à PF, a ativista Sara Giromini, autointitulada Sara Winter, deu explicações sobre o protesto feito na madrugada do último dia 31 por integrantes do grupo “300 pelo Brasil” vestidos com roupas pretas, máscaras e tochas nas mãos. Segundo ela, foi um ato “político e religioso”. “Que o ato foi baseado na passagem da Bíblia, no livro de Juízes, capítulo 7, versículo 16, e foi um ato político e religioso”, disse em depoimento. O documento com o conteúdo do depoimento foi obtido pela CNN.

Sara negou que o grupo dos 300 seja o responsável por lançar fogos de artifício contra o prédio do Supremo Tribunal Federal no último sábado. Sara explicou à PF que havia três grupos acampados em Brasília até o fim de semana com pautas, bandeiras e modos de atuação diferentes: o QG Rural Agro, Patriotas e 300 do Brasil. 

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Aos investigadores, Giromini buscou desvincular o grupo do qual faz parte das pautas antidemocráticas. Segundo ela, o Patriotas é que “é mais ligado a essa pauta da intervenção militar, aplicação do art. 142 da Constituição Federal, dentre outros”. A ativista diz que o 300 do Brasil é mais voltado para a “desobediência civil e ações não violentas”. 

Sara foi questionada sobre a ligação do grupo com o governo de Jair Bolsonaro. “O grupo dos 300 do Brasil ‘apoiam’ o presidente Bolsonaro, mas não ‘recebem’ nenhum tipo de apoio financeiro ou de outra espécie do governo”, disse. A ativista, no entanto, afirmou não poder dizer o mesmo pelos outros dois grupos. 

Sara Giromini não respondeu a todos os questionamentos feitos pelos policiais federais. Ela se recusou a dizer se era a líder do grupo 300 do Brasil e a explicar as ameaças que fez ao ministro Alexandre de Moraes em vídeo publicado nas redes sociais após ser alvo de busca e apreensão. “Que questionada sobre o vídeo que transmitiu pelas redes sociais depois da busca e apreensão em 27/05/2020, em que proferiu ameaças ao Ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, reserva-se ao direito de permanecer em silêncio”.

Ao fim do depoimento, a defesa da ativista informou que Sara corre risco de morte e violência física caso seja transferida para a Colmeia, penitenciária feminina do Distrito Federal, porque ela seria uma “defensora da polícia e inimiga do crime organizado”.

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