Em discurso na ONU, Bolsonaro deve falar para ‘público interno’, diz ex-embaixador

Rubens Barbosa, ex-embaixador do Brasil em Washington, avalia que presidente deve tratar de temas como meio ambiente e pandemia, mas com gestos para seus seguidores

Murillo FerrariElis Francoda CNN

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O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) deve usar seu discurso na abertura da Assembleia-Geral da ONU, na terça-feira (21), para falar com seu “público interno”, avaliou o diplomata Rubens Barbosa, que foi embaixador do Brasil em Washington.

“Acho que o discurso do presidente Bolsonaro neste ano não vai ser diferente do discurso que ele fez nos dois anos anteriores e do que muitos presidentes fizeram”, disse Barbosa à CNN.

“Ele vai falar para o público interno e, certamente, fará gestos para seus seguidores. Claro que temas como a questão do meio ambiente, o principal deles, estará na pauta porque o mundo inteiro está olhando para a política brasileira em relação à Amazônia”, completou.

Barbosa afirmou ainda que o presidente deve tratar da questão da Saúde, já que o ministro de Relações Exteriores, Carlos França, “está desenvolvendo a ideia da diplomacia da Saúde, que é uma coisa positiva”.

Sobre a pandemia do novo coronavírus, Barbosa disse acreditar que o foco do presidente deve ser mostrar a grande proporção da população vacinada, já que o Brasil é um dos países que mais vacinou no mundo contra Covid-19, passa a produzir vacina, e pode contribuir com outras nações.

” Acho que vai procurar mostrar os aspectos positivos, segundo a visão dele, do que ocorre aqui no Brasil e poderá ser visto de maneira positiva no exterior. Mas vai voltar a mencionar sua visão da pandemia.”

Reunião com Boris Johnson

O diplomata ressaltou a reunião do presidente brasileiro com o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson.

“É importante esse encontro porque, pelo que se sabe, Bolsonaro terá apenas duas reuniões relevantes: esse com o primeiro-ministro britânico e outro com o presidente da Polônia”, disse.

“Com o premiê Boris Johnson é importante porque temos essa cooperação na área de Saúde, da AstraZeneca com a Fiocruz. Isso é muito relevante porque o Brasil vai produzir essa vacina em nosso território e poderá ser uma plataforma de exportação.”

“E também acho que pode entrar na agenda o interesse brasileiro em entrar para a OCDE. O Reino Unido é um membro influente da OCDE e é possível que esse assunto seja tratado e o país peça apoio mais firme do Reino Unido”, completou.

Barbosa também minimizou o fato de não haver a previsão de um encontro bilateral com o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. “Nessa oportunidade não é relevante porque pelo que sabemos o presidente Biden não se reunirá com ninguém durante a Assembleia-Geral. Ele vai falar amanhã cedo, depois de Bolsonaro, e em seguida voltará para Washington.”

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