Em estreia de Fachin, CNJ pede lei de desaparecimento forçado ao Congresso

Projetos na Câmara e no Senado propõem penas maiores para casos de sequestro, prisão ou desaparecimento forçado cometidos por agentes do Estado

Davi Vittorazzi, da CNN Brasil, Brasília
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Na primeira sessão do ministro Edson Fachin na presidência do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), os conselheiros aprovaram nesta terça-feira (14) uma nota técnica que vai ser encaminhada ao Congresso Nacional para aprovação da lei sobre o desaparecimento forçado.

A nota sugere a tipificação como crime o desaparecimento forçado em projetos que tramitam na Câmara dos Deputados e no Senado.

Os projetos propõem penas maiores para casos de sequestro, prisão ou desaparecimento forçado cometidos por agentes do Estado, ou por quem age com apoio estatal, quando houver recusa em informar o paradeiro da vítima, deixando-a sem proteção legal.

“A nota técnica projeta luz sobre isso, fazendo observações e recomendações, respeitando as respectivas espacialidades. Porém, 15 anos após a condenação que o Estado brasileiro teve no caso Gomes Lund, ainda não houve nenhuma manifestação nesse sentido. O voto traduz essa preocupação”, afirmou Fachin.

O ministro também citou que a Corte IDH (Corte Interamericana de Direitos Humanos) já se pronunciou em relação à demora do Brasil em tipificar o crime de desaparecimento e observou que o Poder Legislativo brasileiro deve assumir o papel de garantir a não repetição desses crimes.

Na mesma sessão, também foi anunciada a composição do Observatório Nacional da Integridade e Transparência do Poder Judiciário, uma das primeiras medidas feitas na nova gestão de Fachin.

O Observatório terá como membros natos os conselheiros do CNJ, os presidentes de Tribunais Superiores, a secretária-geral do CNJ e o secretário de Estratégia e Projetos do Conselho.