Em meio a cerco de Moraes, PL volta a usar vídeo de Bolsonaro em convenção
Novo material uniu áudios e imagens antigas do ex-presidente, além de vídeos em que Jair Bolsonaro, aparentemente, aparece em um campo e abraçado com pessoas em paisagem com montanhas

O PL (Partido Liberal) voltou a utilizar uma gravação de Jair Messias Bolsonaro durante a convenção que lançou, neste sábado (1º), as candidaturas da sigla em Santa Catarina e contou com a presença de Flávio Bolsonaro, candidato do partido à presidência da República.
O material uniu áudios e imagens antigas do ex-presidente, além de vídeos em que Jair Bolsonaro aparece em um campo abraçado com outras pessoas em uma paisagem com montanhas. Ainda não foi possível confirmar a utilização de inteligência artificial em algum momento desta gravação.
A ação ocorre em meio a questionamentos do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), após o partido usar um vídeo de Jair Bolsonaro produzido por inteligência artificial na convenção do PL que oficializou Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência da República, no dia 25 de julho.
No evento deste sábado (1º), Flávio discursou logo após a inserção da gravação com as imagens do pai. Na presença dos irmãos, Carlos e Renan, reclamou que não podem se comunicar com o ex-presidente. O candidato chegou a gravar um vídeo pelas redes sociais para que o Jair Bolsonaro possa ver em algum momento posteriormente.
"Imaginem mais um governo, como o que nós temos hoje, indicando quatro 'Alexandres de Moraes' para o STF. A política vai ser perseguida. A direita vai ser perseguida. A perseguição vai continuar. Talvez teremos mais comunistas no STF, como o atual presidente se orgulha de ter colocado ultimamente, mas nós não vamos permitir porque o Brasil vai voltar a normalidade. Nós vamos voltar a ter democracia. Nós vamos libertar o presidente Jair Bolsonaro", disse o político.
Em sua fala, Flávio também fez críticas à atuação de ministros do STF, disse que vai precisar de parlamentares para reduzir a maioridade penal para 14 anos e garantiu que vai fazer a "maior redução de carga tributária que a história já viu".
Defesa de Bolsonaro alegou desconhecimento
A defesa de Jair Bolsonaro informou a Moraes que o ex-presidente não autorizou o uso de sua imagem em um vídeo produzido por inteligência artificial. Em declaração durante uma live, Flávio Bolsonaro afirmou que o pai não tinha qualquer conhecimento prévio sobre a exibição do vídeo.
"É óbvio que o presidente Bolsonaro não tinha a menor ideia de que ia passar um vídeo de IA dele na nossa convenção. E, obviamente, nós estudamos a legislação e não tem absolutamente nada de errado", afirmou o candidato do PL no vídeo.
Moraes afirmou na decisão que os esclarecimentos da defesa do ex-presidente seriam cruciais para verificar se houve “flagrante desrespeito à legislação eleitoral por Flávio Nantes Bolsonaro e pelo Partido Liberal”.
Outro caso
Em outra decisão recente, Moraes determinou que a Procuradoria-Geral Eleitoral avaliasse a carta escrita por Bolsonaro e lida por Flávio por suposta propaganda eleitoral antecipada ao senador.
Para Moraes, o conteúdo tem “carga semântica equivalente a pedido explícito de voto” e pode configurar propaganda eleitoral antecipada. O ministro enviou cópias da decisão e dos vídeos ao procurador-geral eleitoral.
A abertura de um inquérito para investigar se o pré-candidato bolsonarista cometeu o crime de calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também é citada no pacote de atuações do STF de impacto eleitoral.
Moraes comandou o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) nas eleições de 2022, mas deixou de integrar a corte em junho de 2024. Apesar de não estar mais no TSE, o ministro tem preservado influência sobre o cenário eleitoral com a relatoria de processos que o mantêm como um ator relevante na disputa política.


