Entenda em 6 pontos a operação contra desvio de verba pública no Pará
Alvo de busca e apreensão nesta terça-feira (16), deputado federal Antônio Doido é apontado como líder da organização

A PF (Polícia Federal) deflagrou nesta terça-feira (16) uma operação que apura o desvio de verbas públicas por um grupo que atuava no Pará.
Um dos alvos de busca e apreensão foi o deputado federal Antônio Doido (MDB-PA). Segundo as investigações, ele comandava a organização.
Os agentes cumpriram 31 mandados de busca e apreensão no Pará e no Distrito Federal, após autorização do ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal).
Veja os principais pontos que explicam a operação
Deputado federal no comando
A decisão de Flávio Dino que embasou a operação diz que o parlamentar comandava uma organização para operacionalizar o desvio de verbas públicas.
“A partir dos dados identificados, e consoante já exposto de forma tangencial acima, o grupo investigado, sob o comando do Deputado Federal Antonio Doido, utiliza diversas empresas para operacionalizar as movimentações financeiras objeto da investigação”, diz a decisão.
Ainda de acordo com o documento, “a análise identificou indícios da prática de outros crimes, por meio de complexo esquema de lavagem de dinheiro que teria como ponto de partida recursos oriundos de contratos públicos, os quais seriam aparentemente destinados, ao menos em parte, para fins eleitorais escusos, além da aquisição de patrimônio”.
Conversas e arquivos de celulares
Ao longo da decisão, elementos encontrados em celulares apreendidos com investigados foram citados diversas vezes.
A maior parte do material teria sido identificada no aparelho de Francisco Galhardo, citado como sacador de quantias milionárias em espécie. Galhardo foi preso em flagrante em 4 de outubro de 2024, após sacar quase R$ 5 milhões junto com Ellis Dangeles Noronha Martins.
Além de Galhardo e Martins, também foi preso na ocasião Geremias Cardoso da Hungria.
Em um dos trechos, os investigadores apontam que no dia da prisão em flagrante, o deputado teria mandado mensagens para Galhardo questionando sobre a saída da agência bancária. Os dois teriam tratado também da divisão dos valores retirados.
Os agentes da PF identificaram ainda ligações de Antônio para Martins, após a prisão de Galhardo.
A polícia também menciona que encontrou no celular de Galhardo "arquivos relacionados a cadastros de pessoas jurídicas e participações em procedimentos licitatórios".
Saques de altas quantias em espécie
Outro ponto importante que embasou a decisão de Dino foi a identificação pela PF de saques em espécie que totalizam mais de R$ 48 milhões pelo grupo suspeito de desviar verba pública.
Segundo informações dos investigadores, foram realizadas diversas "operações de retirada de valores em espécie, as quais somaram mais de R$ 48.000.000,00 (quarenta e oito milhões) de reais".
A PF identificou 15 operações de saque realizadas entre 14 de março de 2023 e 4 de outubro de 2024.
Coincidências temporais
A PF observou coincidências temporais com datas de licitações ou o período eleitoral que sugeririam irregularidades. "Observa-se, desse modo, que nas semanas anteriores ao pleito eleitoral municipal foram feitas retiradas da ordem de R$ 22.000.000,00 (vinte e dois milhões) de reais, tudo em espécie", diz o relatório.
Utilização de policiais militares
Os investigadores também acreditam que Galhardo utilizaria um grupo de policiais militares no esquema de corrupção.
De acordo com a PF, os elementos apontam para a conclusão de que ele utilizaria “do aparato estatal, mais especificamente, de um grupo de policiais militares, para realizar, dentre outras atividades suspeitas, a movimentação de altas quantias em espécie, sob a égide do Deputado Federal ANTÔNIO LEOCÁDIO DOS SANTOS”.
Uso de empresas de fachada
Segundo a investigação, a organização também fazia uso de "empresas para operacionalizar as movimentações financeiras objeto da investigação".
"A organização criminosa utiliza-se, predominantemente, das empresas J.A Construcons Civil Ltda., JAC Engenharia Ltda., Luvic – VL Oliveira Comércio Ltda. e VL Engenharia Ltda., todas registradas e administradas por pessoas vinculadas ao parlamentar investigado", acrescenta o relatório policial.


