Especialistas avaliam possíveis destinos dos votos de Doria
Maioria dos votos do ex-candidato do PSDB podem migrar para Ciro Gomes, avaliam cientistas políticos

A maior parte dos eleitores de João Doria (PSDB), que anunciou a desistência de sua pré-candidatura à Presidência nesta segunda-feira (23), tem potencial para migrar para Ciro Gomes (PDT).
A avaliação foi feita por diretores de institutos de pesquisas de opinião ouvidos pela âncora da CNN Daniela Lima.
Felipe Nunes, CEO da Quaest, analisou que a saída de Doria não causa mudanças significativas em termos numéricos, porque o tucano tinha um índice de intenção de votos que variava entre 3% e 5%.
A última pesquisa presidencial Quaest, publicada em 11 de maio, mostrou que 54% dos eleitores do tucano consideravam votar em Ciro Gomes – para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL), esse potencial era de 36% e 19%, respectivamente.
No caso de Simone Tebet (MDB), a senadora ainda é considerada desconhecida por quem declara voto em Doria, o que causa incerteza em relação ao seu potencial nessa parcela do eleitorado.
Ainda segundo Nunes, a mesma pesquisa mostra que, sem Doria, Lula aumenta suas chances de vitória no primeiro turno, porque 77% dos eleitores do tucano rejeitam Bolsonaro – para Lula, o índice de rejeição é de 62%.
Antonio Lavareda, presidente do Ipespe, também analisou a saída de João Doria da disputa. E, assim como Nunes, Lavareda disse à CNN concordar que Ciro tem maior potencial de atrair votos de Doria.
Questionado por Daniela Lima se esse movimento poderia gerar uma nova subida de Bolsonaro nas pesquisas, como aconteceu quando Sergio Moro (União Brasil) desistiu de sua pré-candidatura, no final de março, Lavareda disse não acreditar nesse cenário.
“Acho que não. Doria não estava tanto à direita quanto o Moro e, por isso, o Moro estava perto de Bolsonaro. Doria, não. A princípio, acho que Simone Tebet e Ciro Gomes são os prováveis beneficiários dessa saída”, disse Lavareda.
Para o cientista político, “o eleitor de Doria rejeita mais Bolsonaro que Lula em virtude dos embates travados com o presidente por conta da pandemia”.
Segundo o analista CNN Iuri Pitta, a resposta para essa não migração de votos de Doria para Bolsonaro está na rejeição ao governo, “seja na pandemia ou em aspectos da economia”.
“O eleitorado de Doria foi muito mais construído no enfrentamento ao atual governo, ainda que tenha o histórico de enfrentamento [de Doria] ao petismo e a Lula”, analisa Pitta.
De acordo com o analista, o eleitor que rejeita Lula pelas denúncias de corrupção no governo do PT “já está muito mais próximo de Bolsonaro hoje”.
“Moro era quem personificava o discurso anticorrupção de forma mais prioritária. Sem Moro, esse eleitor já tinha ido para Bolsonaro, tanto que o Doria não se mexeu [nas pesquisas] mesmo quando Moro deixou a corrida presidencial”, completou Pitta.



