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    EUA seriam o último país para onde um golpista mandaria dinheiro, diz Bolsonaro

    Ex-presidente afirmou que mandou o dinheiro para os EUA porque tinha dúvidas em relação à gestão econômica do governo Lula

    Jussara SoaresJoão Rosada CNN

    Brasília

    O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) negou que tenha transferido R$ 800 mil para conta nos Estados Unidos com a intenção de esperar um suposto golpe de Estado. Ele disse ainda que o país seria o último que um golpista enviaria o dinheiro.

    Em vídeo, Bolsonaro disse que tirou o dinheiro da poupança no Banco do Brasil e transferiu para o BB América. Com isso, segundo o ex-presidente, os recursos pessoais seguiram em um banco brasileiro.

    Bolsonaro não comentou sobre as suspeitas da Polícia Federal de que o dinheiro possa ter origem ilícita.

    “A imprensa vem noticiando que, segundo a Polícia Federal, eu enviei em dezembro de 2022 para os Estados Unidos R$ 800 mil à espera de um golpe. Primeiro, enviei, sim, da minha poupança do Banco do Brasil para o BB América, ou seja, o dinheiro continuou num banco brasileiro. Banco do Brasil”, disse.

    Segundo a Polícia Federal (PF), o ex-presidente teria transferido o valor pouco tempo antes de terminar seu mandato e de ao viajar aos Estados Unidos. De acordo com a investigação, a transferência teria sido realizada para que Bolsonaro pudesse ficar fora do Brasil enquanto seus apoiadores tentavam um golpe de Estado no país.

    Bolsonaro disse ainda que os Estados Unidos seriam o último país do mundo para o qual um golpista enviaria recursos, porque é um “país democrático, que respeita tratados” e o dinheiro seria bloqueado.

    “Dizer a nossa querida Polícia Federal que o último país do mundo onde um golpista, ditador enviaria recurso, seria os Estados Unidos, porque é um país democrata, que respeita tratados. E esses recursos seriam imediatamente bloqueados”, complementou Bolsonaro.

    O ex-presidente também afirmou que mandou o dinheiro para os Estados Unidos porque tinha dúvidas em relação à gestão econômica que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) adotaria no Brasil.

    “Tínhamos dúvidas sobre a política e economia do atual mandatário de esquerda. Um abraço a todos”, finalizou Bolsonaro.

    Entenda a transferência

    Pouco antes de encerrar seu mandato como presidente, Bolsonaro transferiu R$ 800 mil para um banco dos Estados Unidos, em 28 de dezembro de 2022, afirmaram à CNN fontes ligadas à Polícia Federal (PF).

    Segundo documento da Polícia Federal, a transferência foi feita para que Bolsonaro ficasse nos EUA enquanto seus apoiadores tentariam um golpe de Estado no Brasil, e o então presidente aguardaria os desdobramentos e o desfecho em solo norte-americano, apontam as investigações.

    As informações foram reveladas na quarta-feira (14) pela revista “Veja” e foram confirmadas pela âncora da CNN Raquel Landim.

    Procurada pela CNN, a defesa de Bolsonaro disse que o ex-presidente enviou suas economias, que estavam numa conta poupança no Banco do Brasil, por “receio de explosão do dólar” e, assim, se proteger da variação cambial.

    O dinheiro foi posteriormente repatriado para o Brasil a pedido das autoridades reguladoras norte-americanas por se tratar de uma pessoa politicamente exposta.

    A quebra de sigilo bancário de Bolsonaro demonstra que ele fez uma operação de câmbio de R$ 800 mil em 27 de dezembro de 2022.

    Fontes da PF também levantam a possibilidade de os recursos financeiros eventualmente serem “ilícitos e lícitos” por suspeitar que parte do montante transferido tenha sido acumulado com o “desvio de bens de alto valor patrimonial entregues por autoridades estrangeiras”.