Ex-chefe da PF no Rio diz que familiar de Bolsonaro foi investigado

Renata Agostini e Daniel Adjuto, da CNN em Brasília

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Carlos Henrique Oliveira de Sousa, ex-superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro, desmentiu Jair Bolsonaro em depoimento na tarde desta quarta-feira (13).

Questionado sobre investigações sobre familiares do presidente entre 2019 e 2020 pela PF, o delegado afirmou que “tem conhecimento de uma investigação no âmbito eleitoral cujo inquérito já foi relatado, não tendo havido o indiciamento”.

Flavio Bolsonaro é alvo de um inquérito eleitoral que apura se o senador cometeu crimes de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica eleitoral em sua declaração de bens nas campanhas de 2014, 2016 e 2018. A PF, conforme revelado pelo jornal “O Globo”, pediu o arquivamento da investigação em março deste ano.

Ontem, na rampa do Palácio do Planalto, Bolsonaro negou que familiares fossem alvos da PF, o que justificaria o interesse dele em uma possível troca na direção-geral da instituição. “Não estou e nem nunca estive preocupado com a Polícia Federal. Nunca tive ninguém da minha família investigado pela Polícia Federal”, disse o presidente.

Em depoimento, no entanto, Carlos Henrique negou que Bolsonaro tenha pedido informações sobre a investigação e que não manteve contato nem com o presidente nem com familiares dele enquanto esteve à frente da PF no Rio. 

Caso Marielle Franco

Carlos Henrique também foi questionado pelos investigadores sobre a investigação do assassinato da vereadora Marielle Franco.

O ex-superintendente informou que “não leu o relatório final do inquérito instaurado pela Polícia Federal que apurou irregularidades na Delegacia de Homicídios da Polícia Civil do Rio de Janeiro, que conduziu as investigações”. 

Nesse relatório, a Polícia Federal concluiu que Domingos Brazão, conselheiro afastado do TCE-RJ, é o principal suspeito de ser o mandante dos assassinatos de Marielle e Anderson Gomes, motorista da vereadora.

De acordo com a PF, interceptações telefônicas ligam Brazão a milicianos do denominado “Escritório do Crime”. A PF apontou ainda as investigações da Polícia Civil do Rio foram fraudadas pela ligação da milícia com “graduados integrantes” da instituição.

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